quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Crise de asma: usar Prednisolona ou Dexametasona ?

No artigo publicado no Archives of disease in Childwood em outubro de 2013, compara 6 artigos publicados que comparam o uso da prednisolona e dexametasona na crise asmática. 
Tanto a prednisolona oral com a dexametasona oral e prednisolona oral com dexametasona intramuscular, tiveram os mesmos resultados, portando o uso da medicação depende da escolha do médico que está atendendo a crise asmática.

Até mais.

Fonte: 

Question 1: Prednisolone or dexamethasone for acute exacerbations of asthma: do they have similar efficacy in the management of exacerbations of childhood asthma?

  • Elisabeth Redman
  • Colin Powell
Arch Dis Child 2013;98:916-919 doi:10.1136/archdischild-2013-304937

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Metabolismo lento...

Metabolismo lento pode ser detectado cedo

Uma pesquisa publicada nesta semana sugere que algumas pessoas obesas que culpam o lento metabolismo pelo excesso de peso podem não estar apenas inventando uma desculpa.

Uma equipe da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, diz ter descoberto a primeira prova de que uma mutação no DNA pode de fato diminuir o metabolismo.

No entanto, a condição é rara. Os cientistas dizem que menos de 1% das pessoas são afetadas por essa condição e, quando são, costumam ser muito obesas desde a infância.

A descoberta foi divulgada na publicação científica "Cell" e pode levar a novos tratamentos mesmo para pessoas sem mutação no DNA.

Gene ausente

A pesquisadora Sadaf Farooqi, envolvida na pesquisa, disse à BBC que a "desculpa" do lento metabolismo costumava ser desprezada por médicos e pela sociedade em geral, por falta de provas científicas.

Os estudiosos já sabiam, antes da pesquisa, que camundongos que nascem sem uma seção do DNA - um gene chamado KSR2 - ganham peso facilmente. Mas o que eles não sabiam era o efeito da mutação em humanos.

Para isso, eles fizeram testes com 2.101 pessoas muito obesas. Algumas delas possuíam a versão mutante do DNA.

"(Se você tem a mutação) você fica com fome e querendo comer bastante, não fica com vontade de se mexer muito por conta do lento metabolismo e provavelmente terá diabetes do tipo 2 com pouca idade", disse Farooqi.

O KSR2 afeta a forma como células individuais interpretam sinais, como a presença do hormônio insulina. Por sua vez, isso afeta a capacidade do corpo de queimar calorias.

De qualquer forma, Farooqi acredita que, apesar de terem a mutação genética estudada pelos cientistas da Universidade de Cambridge, algumas das pessoas afetadas têm um peso normal. Por outro lado, Farooqi diz que 2% das crianças obesas aos cinco anos de idade têm a mutação.

Caso a indústria farmacêutica consiga desenvolver remédios para lidar com problemas semelhantes ao KSR2, isso pode vir a beneficiar todas as pessoas que são obesas - não só as que possuem o gene mutante.

Outros fatores genéticos que influenciam o surgimento da obesidade já eram conhecidos.

Pessoas, por exemplo, que tem duas cópias de uma versão considerada de alto risco do gene FTO, uma vinda de cada um dos progenitores, teriam uma probabilidade 70% maior de se tornar obesas, dizem cientistas.


Até mais.

Fonte: Uol.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Linhaça no tratamento do colesterol...


O manejo não-farmacológico da hipercolesterolemia em crianças é um desafio com poucas opções disponíveis. 
Para determinar a segurança e eficácia da suplementação de linhaça na dieta dessas crianças, foi realizado um ensaio clínico canadense com 32 participantes. Os indivíduos tinham idades entre 8 e 18 anos com o lipoproteínas de baixa densidade a partir de 135 mg / dL (3,5 mmol / L) a menos de 193 mg / dL (5,0 mmol / L). O grupo de intervenção comeu dois bolos e 1 fatia de pão por dia, contendo semente de linhaça moída (30 g total de linhaça). O grupo controle comeu muffins e pães substituídos com farinha de trigo integral. A suplementação de linhaça na dieta resultou em uma diminuição atribuível de -7,35 mg / dL (-0,19 mmol / L) nos níveis de lipoproteína de alta densidade (IC 95%, -3,09 a -11,60 mg / dL [-0,08 para -0,30 mmol / L ]), um aumento de 29,23 mg / dl (0,33 mmol / L) nos triglicéridos e um aumento de 4,88 g / d na ingestão de gordura poliinsaturado. 
Linhaça não teve efeitos atribuíveis no colesterol total, lipoproteína de baixa densidade, índice de massa corporal, ou ingestão calórica total. O uso da suplementação de linhaça na dieta, enquanto segura, foi associada com mudanças adversas no perfil lipídico de crianças com hipercolesterolemia, mas um benefício potencial no LDL não pode ser excluído. 
O uso da suplementação de linhaça em crianças com hipercolesterolemia pode não ser uma opção viável para o controle de níveis lipídicos nesta população.

Até mais.

Fonte: JAMA Pediatr, 2013;167(8):708-713 - texto completo

Tratamento da cetoacidose diabética com fluídos isotônicos...

Um estudo americano avaliou as atuais taxas de complicações da cetoacidose diabética (CAD), em um grande hospital pediátrico terciário com um protocolo de tratamento pré-estabelecido. 

Foi relatada a experiência retrospectiva de um único centro, com 3.712 admissões com CAD entre 1999-2011. O protocolo DKA possui um sistema de "3-bag" com duas bolsas de fluidos de rehidratação, idênticas, exceto pela presença de dextrose a 10% em uma bolsa, para permitir o ajuste rápido da taxa de infusão de glicose. A terceira bolsa continha insulina. 

Fluidos foram administrados a uma taxa total de 2-2,5 vezes a necessidade basal. A concentração total de eletrólito foi mantida aproximadamente isotônica. As bases de dados de registros médicos foram examinadas para casos de cetoacidose diabética, edema cerebral, outras morbidades e morte. Foram apurados 20 casos de edema cerebral (0,5%). A maioria apresentou edema precoce (duração média do tratamento 2 horas). Apenas 10 das 20 tomografias computadorizadas foram classificados como edema moderado ou grave. Apenas 10 pacientes receberam tratamento diferente do protocolo de rotina. Houve uma morte de um paciente com traço falciforme, que desenvolveu falcização intravascular. Dois pacientes apresentaram seqüelas neurológicas no momento da alta hospitalar, mas ambos se recuperaram totalmente. 

Em comparação com os dados de consensos recentes, o protocolo de Dallas está associado a taxas extremamente baixas de morte e invalidez (0,08% vs 0,3%).


Até mais.

Fonte: The Journal of Pediatrics; Volume 163, Issue 3 , Pages 761-766, September 2013

domingo, 20 de outubro de 2013

Deficiência intelectual por exposição ao chumbo...


A presença de chumbo em tintas causa sérios danos à saúde das crianças, com 600 mil casos por ano de menores que sofrem deficiência intelectual após exposição ao produto.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, 99% das crianças afetadas vivem em países de rendas baixa e média. A diretora de Saúde Pública da OMS, Maria Neira, disse que são necessárias várias ações a nível global para minimizar o problema.
"É um grave problema para muitos sistemas do corpo. A parte positiva é que a gente é que podemos tomar medidas para minimizar este problema, eliminando o chumbo da composição das tintas.
Por ano, mais de 143 mil pessoas morrem pela contaminação com o chumbo. O metal é um dos 10 químicos de grande preocupação para a saúde pública, segundo a OMS.
Além das mortes, o contato com o chumbo pode causar convulsões, coma, nanismo e abortos.
A alerta foi divulgado durante a Semana Internacional da Prevenção de Envenenamento por Chumbo.
O elemento pode ser encontrado em casas, brinquedos e móveis. Quanto a pintura de uma parede descasca, por exemplo, o pó causado pela tinta com chumbo pode ser facilmente absorvido por crianças pequenas.
A OMS destaca que muitas crianças também colocam na boca brinquedos pintados com tinta com chumbo ou engolem pequenas lascas de tinta, já que o metal tem um gosto adocicado.
Até o momento, 30 países já eliminaram o metal, mas a meta é que o número cheque à 70 nações até 2015.
Até mais.
Fonte: Isaúde.net

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Teste virtual combinará DNAs milhares de vezes para prever doenças em bebês...

Especialistas temem que o serviço que combina vários DNAs crie bebês 'projetados'
Um serviço que, digitalmente, combina os DNAs de um homem e de uma mulher que pensem em ter um filho para identificar possíveis doenças genéticas que o bebê possa vir a ter deve ser lançado em dezembro nos Estados Unidos.
No início, o teste a ser disponibilizado pela empresa novaiorquina Genepeeks deve atender mulheres interessadas em usar o esperma de doadores anônimos para engravidar. A ideia é simular, por computador, antes da gestação, combinações entre o código genético de uma cliente e os códigos genéticos de vários doadores em potencial.
O processo, feito por computador, permite que os genes da cliente sejam combinados com o dos doadores milhares de vezes. Homens que frequentemente produzam com aquela mulher "bebês digitais" com alto risco de anomalias genéticas terão seu esperma excluído da lista de possíveis pais, deixando na fila doadores que produzam combinações melhores.
A proposta da Genepeeks já está gerando um debate sobre questões éticas.
Para alguns, iniciativas como essa tornam cada vez mais real a perspectiva de que, um dia, existam os chamados "bebês projetados" - descritos em obras de ficção científica como o filme "Gattaca - Experiência Genética" (1997).
Até mais.
Fonte: Uol.

Tylenol causa 150 mortes por ano nos EUA, diz ONG...


Um levantamento feito pela organização sem fins lucrativos Pro Publica, dos EUA, mostra que, de 2001 a 2010, cerca de 150 americanos morreram por ano por intoxicação após o consumo de paracetamol, princípio ativo do analgésico Tylenol.
Segundo a Pro Publica, que consultou dados dos CDCs (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), essas mortes ocorreram por ingestão acidental de doses maiores do que as recomendadas na bula.
O problema, diz a organização, é que a diferença entre a dose máxima por dia para adultos (4 g) e a quantidade que pode causar danos ao fígado é pequena, facilitando a overdose acidental.
Outro problema é que a FDA (agência reguladora de remédios nos EUA) demorou muito para incluir na bula alertas importantes sobre o uso da droga, em especial para pessoas que bebem álcool regularmente ou tomam outros remédios.

FÍGADO

O paracetamol é metabolizado no fígado. Em caso de doses excessivas ou de pessoas desnutridas, que bebam álcool regularmente ou que tomem outros remédios, esse metabolismo produz uma substância tóxica que pode levar à falência hepática.
No Brasil, segundo o hepatologista Raymundo Paraná, não há dados sólidos sobre intoxicações por paracetamol, mas a Sociedade Brasileira de Hepatologia está iniciando um estudo em oito centros de referência para doenças do fígado e em uma unidade básica de saúde para medir sua ocorrência.O hepatologista, que é professor da faculdade de medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia), afirma que a dose máxima do remédio deveria ser reduzida de 4 g por dia para 3 g.
"É uma droga segura, mas se usada no limite terapêutico. Até 3 g por dia não causa problemas. Entre 3 g e 4 g já houve casos [de intoxicação] em pacientes que usavam outras medicações."
Ele destaca que o efeito colateral causado pelo paracetamol é previsível e proporcional à dose tomada, diferentemente dos problemas que podem ocorrer com o uso do analgésico que encabeça a lista dos remédios mais vendidos no Brasil, a dipirona.
A droga já foi ligada a um problema raro que leva a medula óssea a parar de produzir células de defesa. Nos EUA e em alguns países da Europa, a dipirona não é vendida.
Já para Aurélio Saez, diretor de relações institucionais da Abimip (associação de fabricantes de remédios isentos de prescrição), o fato de o Brasil e outros países onde a dipirona é vendida não terem números tão grandes de intoxicação por paracetamol fala a favor da dipirona.
Mas ele lembra que nos EUA e em outros países com altas taxas de intoxicação por paracetamol, é comum o uso desse remédio em tentativas de suicídio.

OUTRO LADO

Em nota, a Johnson&Johnson, fabricante do Tylenol, afirma que, quando usado de acordo com a bula, o paracetamol tem "um dos melhores perfis de segurança entre os analgésicos isentos de prescrição". Mas, como qualquer remédio, pode trazer riscos acima das doses recomendadas. "Os consumidores devem sempre ler a bula, não ingerir mais do que a dose recomendada e seguir sempre a orientação de um médico."
À Pro Publica, a FDA admitiu que houve demora em acrescentar alertas às bulas do Tylenol, mas que isso foi feito conforme a evolução das evidências científicas.

Até mais.

Fonte: Folha de São Paulo.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O primeiro minuto de vida...

Um alerta da Sociedade Brasileira de Pediatria a respeito da importância do primeiro minuto de vida...

Na abertura de seu maior evento, hoje, em Curitiba, e na presença de mais de cinco mil médicos de crianças e adolescentes, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou um alerta à população sobre a importância do chamado Minuto de Ouro, os primeiros sessenta segundos na vida do ser humano. Diz o texto:
“É fundamental para o bebê respirar bem ao nascer. No entanto, o que pouca gente sabe é que, para isso, um em cada dez recém-nascidos precisa de ajuda, que deve ser rápida e realizada no primeiro minuto de vida, por profissional qualificado. No Brasil cerca de 300 mil recém-nascidos por ano necessitam ser auxiliados para que o pulmão se encha de ar e para que o coração e toda a circulação sanguínea, inclusive a que se dirige ao cérebro, se adaptem a funcionar bem sem a placenta, fazendo a transição do útero para o mundo com qualidade. Dentre os prematuros, calcula-se que sejam seis em cada dez. Na gravidez, por vezes, é possível saber que há possibilidade de problemas, mas há cerca de dez por cento dos casos em que tudo transcorreu bem e, mesmo assim, a dificuldade se manifesta na hora do nascimento.
O que exatamente acontece se a criança não respira bem no primeiro minuto? É grande o espectro de possibilidades. Dentre elas, estão desde pequenas deficiências no aprendizado escolar até sequelas neurológicas graves ou mesmo a morte. É fato que, se a respiração não se estabelece rapidamente, a chance da criança ter problemas é muito grande. A boa notícia é que isso pode ser evitado, há que ser aproveitado o chamado Minuto de Ouro, que pode trazer mais qualidade para toda a vida, da infância à fase adulta! Para tanto, é importante que as famílias se informem: a maternidade está preparada para um auxílio qualificado à criança para que respire bem, se isso se for preciso? Haverá pediatra na sala do parto? Garanta seus direitos! Exija os direitos do seu bebê, alerta a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)”.

Novo estudo sobre asfixia pós-parto

A asfixia ao nascer contribui, no Brasil, para a morte precoce (até sete dias) de cinco bebês nascidos no tempo certo (“a termo”) por dia. “Estamos falando de crianças sem malformações, não prematuras e, portanto, de óbitos evitáveis”, diz a dra. Maria Fernanda Branco de Almeida, que divide com a dra. Ruth Guinsburg, a coordenação do Programa de Reanimação Neonatal da SBP e da pesquisa divulgada agora.
Coletando dados diretamente das declarações fornecidas pelas Secretarias estaduais de Saúde, o estudo chegou a 21.377 óbitos sem anomalias congênitas associados à asfixia ao nascer, de 2005 a 2009. O número corresponde a 12 mortes evitáveis diárias de bebês, sendo que cinco delas ocorreram em crianças que nasceram no tempo certo – metade nas regiões Norte e Nordeste; 45% nas primeiras 24 horas de vida, indicando inadequação da assistência antes, durante e logo após o parto. Além disso, 57% ocorreram em hospitais públicos e 67% fora das capitais. Em 40% dos casos foi preciso fazer a transferência da gestante ou do bebê para outro município, o que indica necessidade de regionalização do cuidado perinatal, treinando obstetras e pediatras, dentre outros profissionais.
Só em 2010, de acordo com as pesquisadores, faleceram com asfixia perinatal 3.758 bebês sem malformações, o que representa 11 óbitos por dia, dos quais quatro a cinco chegaram ao mundo no tempo certo e sem malformações congênitas. “A situação, portanto, é preocupante, salienta a dra. Ruth.
A mortalidade neonatal tornou-se, nos últimos anos, o componente mais importante da mortalidade infantil e registra diminuição, mas ainda muito lenta.Mesmo nas estimativas mais recentes dos óbitos até um ano de idade apresentadas pelo Ministério da Saúde (14,6 por mil nascidos vivos em 2013), a taxa de mortes neonatais representa 10,2 (por mil nascidos vivosou quase 70% do total. “Vem sendo assim a década inteira”, ressalta a dra. Maria Fernanda. Se nascem no Brasil três milhões de crianças ao ano, são aproximadamente 30 mil vidas perdidas apenas nos primeiros 27 dias.
  
Diferença e importância

Os números do DataSUS contemplam apenas a causa principal de óbito, enquanto na pesquisa da SBP foram analisadas “todas as linhas” das planilhas, incluindo aquelas em que a asfixia ou Síndrome de Aspiração de Mecônio aparecem associados à causa principal. “Isso é mais real”, diz a dra. Fernanda. “Para a elaboração de estratégias de políticas públicas é preciso uma análise completa”, frisa a dra. Ruth.
A pesquisa do Programa de Reanimação Neonatal da SBP tem entre suas pesquisadoras também as dras. Rosa Maria Vaz do Santos, Lícia Maria Moreira e Mandira Daripa. Sobre os dados, as coordenadoras explicam que são “finalizados” cerca de um a dois anos após sua ocorrência e é quando realizam a busca ativa junto às Secretarias, analisando sua consistência.
Quanto ao Programa de Reanimação Neonatal da SBP, foi criado em 1994 e já certificou 60.124 profissionais, sendo 44.102 médicos e 16.022 profissionais de saúde não-médicos.

OBS: Período neonatal= 27 dias após o nascimento; 
Perinatal = 22 semanas de gestação até 7 dias de vida;
neonatal precoce (primeira semana de vida)


Até mais.

Fonte: SBP.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

História de métodos para emagrecer é cheia de ideias repetidas e de baixa eficácia...


Não é muito animadora a mensagem do livro "A Tirania das Dietas", da britânica Louise Foxcroft, historiadora da medicina com doutorado pela Universidade de Cambridge. Em resumo: faz séculos que as dietas são sempre as mesmas --e faz séculos que não funcionam.
"É uma história de repetição e, em parte, de novidades cosméticas. As mesmas ideias são reempacotadas e requentadas", disse Foxcroft em entrevista por telefone à Folha. "Um exemplo são as dietas ricas em proteína e com poucos carboidratos."
Nessa seara, o atual astro é o médico francês Pierre Dukan, que diz ter criado seu método ao recomendar a um paciente que comesse tanta carne magra quanto desejasse e bebesse bastante água.Antes de Dukan, no entanto, houve a "dieta revolucionária" do médico americano Robert Atkins (1930-2003), cujo livro de 1972 virou best-seller. E, mais de um século antes, o britânico William Banting (1797-1878), agente funerário (sim, não é piada), publicou sua versão desse tipo de dieta em "Carta sobre a Corpulência, Dirigida ao Público", em 1863.
"Esse tipo de dieta evoluiu independentemente várias vezes porque funciona no curto prazo", diz Foxcroft. "O problema é evitar que a perda seja revertida."
Outras supostas ideias brilhantes que parecem ter acometido o cérebro dos desesperados para perder peso ao longo dos séculos: a indução do vômito; o uso de laxantes para, digamos, "descomer" o alimento o mais rápido possível; e o uso de massagens violentas e espartilhos que "espremessem a gordura" para fora do sujeito.
A pesquisa de Foxcroft mostra ainda que a associação entre o desejo de emagrecer e a cultura das celebridades tampouco é tão moderna quanto se costuma pensar.
Os primeiros astros obcecados com a magreza são, ao que tudo indica, do século 19: o poeta britânico Lorde Byron (1788-1824), para quem "uma mulher nunca devia ser vista comendo ou bebendo, a menos que se tratasse de lagosta, salada e champanhe"; e Sissi, imperatriz da Áustria (1837-1898). Com 1,70 m e 47 kg, cintura esmigalhada por espartilhos, alimentava-se basicamente de leite (viajava com sua própria vaca) e suco de laranja, além de fazer ginástica o tempo todo.

GORDOS DO MAL

Outra constante histórica, diz a pesquisadora, é o hábito de desprezar as pessoas acima do peso. "Essa conexão entre moralidade, dieta e peso vem desde os antigos gregos e romanos, para os quais alguém fora de forma era um mau cidadão", conta.

"Em tempos de guerra e de escassez, é algo que acaba voltando. O inimigo é pintado como um glutão, preguiçoso e indulgente."
A trajetória dos medicamentos para emagrecer também não anima. "Até hoje, nenhum demonstrou um perfil de segurança favorável em relação a efeitos colaterais, e seu sucesso é no máximo modesto", critica.
Para ela, a abordagem mais sensata é a dos gregos, criadores do termo "dieta", encarada por eles como um controle gradual da alimentação, ligado a um programa de exercícios e mudança de estilo de vida. "É difícil, porque nosso ambiente alimentar está cada vez mais contra nós, mas é o único caminho sensato", prega Foxcroft.

Até mais.

Fonte: A Folha de São Paulo.

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