terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Febre Amarela...

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Sintomas
febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por vetores. Geralmente, quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.

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Transmissão

febre amarela ocorre nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos transmissores. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus. Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue). A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra ela circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano. Além do homem, a infecção pelo vírus também pode acometer outros vertebrados. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas ter a quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.

Prevenção
Como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos criam-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências. Qualquer recipiente como caixas d'água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos. Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Para eliminar o mosquito adulto, em caso de epidemia de dengue ou febre amarela, deve-se fazer a aplicação de inseticida através do "fumacê”. Além disso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente para aqueles que moram ou vão viajar para áreas com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.
Até mais.
Fonte: Fiocruz

Febre Amarela em SANTOS...

Assista o vídeo da Secretaria de Saúde de Santos...


https://www.youtube.com/watch?v=gq5sTPp0flc

Febre Amarela em MG...

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou nesta terça-feira (24) 38 mortes por febre amarela. Estes óbitos estão entre as 83 mortes suspeitas da doença, conforme a SES. O governo do estado já considera este o pior surto da doença já registrado em Minas Gerais. 
Os casos notificados em Minas Gerais são 393, desses, 67 já foram confirmados. O número de mortes e casos confirmados aumentou em relação ao boletim desta segunda-feira (23),quando a secretaria registrava 32 mortes e 55 casos. 
De acordo com a SES, os casos confirmados já passaram por exame laboratorial detectável para febre amarela; exame laboratorial não detectável para dengue; histórico vacinal (não vacinado/vacinação ignorada); sinais e sintomas compatíveis com a definição de caso; e exames complementares que caracterizam disfunção renal/hepática. 
Ainda segundo a secretaria, as mortes confirmadas estão relacionadas às cidades dos vales do Rio Doce e do Mucuri: Ladainha (10), Ipanema (4), Teófilo Otoni (5), Itambacuri (3), Piedade de Caratinga (2), Malacacheta (2), Imbé de Minas (2), São Sebastião do Maranhão (2), Poté (2), Conceição de Ipanema (1), Setubinha (1), José Raydan (1), Ubaporanga (1). 
A 37ª e a 38ª mortes estão relacionadas às cidades de Januária, no Norte do estado, e Definópolis, no Sul. A SES ainda investiga os locais de contágio nos dois casos. No óbito relacionado a Januária, a vítima morreu em Brasília, conforme a secretaria. 
Existe também um óbito confirmado de uma pessoa que contraiu a doença em Minas Gerais, na Regional de Teófilo Otoni, e morreu em São Paulo. A secretaria afirma que a morte está entre as 32 confirmadas.

Até mais.

Fonte:g1.com

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

BURNOUT médico...



O colapso dos médicos alcançou níveis de epidemia e entre suas consequências encontrou-se efeitos negativos na atenção de pacientes, no profissionalismo, nos cuidados do próprio médico e no desempenho do sistema de Saúde. 

O estudo "Interventions to prevent and reduce physician burnout: a systematic review and meta-analysis" propõe um entendimento mais completo a respeito do que ocorre e de como combater esta epidemia. Nesta revisão sistemática e metanálise foram analisados, entre outras fontes de dados, trabalhos publicados no MEDLINE, Embase, PsycINFO, que haviam estudado a síndrome de burnout médico.

De acordo com os resultados deste estudo, o burnout médico - uma série de estudos realizados tanto com profissionais ainda em fase de formação quanto médicos que já completaram seus estudos, identifica esta síndrome relacionada com a exigência de trabalho no âmbito da saúde que implica no esgotamento emocional, na despersonalização e na sensação de perda das conquistas pessoais, com uma prevalência superior a 50%. 

O estudo determinou que os principais efeitos negativos do burnout médico estão vinculados a atenção dos pacientes, ao profissionalismo, aos cuidados da saúde e da segurança do próprio médico (onde são incluídas questões de saúde mental e acidentes de trânsito) e  uma redução do esforço profissional do médico.  

As evidências analisadas neste estudo indicam que os altos níveis de colapso emocional se associaram com diferenças substanciais na autopercepção de erros médicos graves, com as horas de trabalho e, em um ponto extremo, com ideias suicidas. 

Estas preocupações geraram a necessidade do aumento da atenção aos médicos para garantir seu bem-estar requerendo tanto soluções individuais quanto estruturais. 


Até mais.

Fonte: rima.org

Esteatose Hepática em crianças...



O fígado gorduroso não alcoólico (NAFLD, sigla em inglês) consiste na causa mais frequente de doença hepática crônica em crianças e adolescentes, motivo pelo qual se mostra fundamental sua detecção e tratamento precoces para evitar a progressão para uma doença hepática terminal. 

Entre suas principais causas estão o sobrepeso e a obesidade, que constituem hoje uma verdadeira epidemia, como consequência de uma conduta essencialmente sedentária, com atividades físicas insuficientes e uma dieta hipercalórica desequilibrada. 

Devido a isto governos, associações internacionais, sociedades científicas, sociedades civis, organizações não governamentais e o setor privado têm um papel crucial na prevenção da obesidade e, portanto, da NAFLD, especialmente quanto às mudanças de estilo de vida e dieta. 

O estudo "Non-alcoholic fatty liver disease: a new epidemic in children" realizado pelas equipes de hepatologia do Hospital Alemão, da Sociedade Argentina de Pediatria e da Universidade de Montreal revisa o processo de desenvolvimento do fígado gorduroso e propõe uma mudança de perspectiva. 

O estudo menciona ainda as dificuldades para diagnosticar o fígado gorduroso uma vez que não se apresentam sintomas ou que alguns de seus sintomas sejam inespecíficos e, portanto, deva-se suspeitar em casos de sobrepeso ou obesidade. “a complexidade do processo multifatorial e a variedade dos achados histopatológicos da NAFLD dificultam os esforços para conceber uma intervenção terapêutica adequada”. 

A doença hepática gordurosa não alcoólica é considerada uma das causas mais frequentes de doença hepática em adultos e crianças, o que coincide com o aumento da prevalência de obesidade em ambas as populações no mundo. 

Trata-se de uma doença multifatorial que envolve um amplo espectro de afecções hepáticas, que vão desde a esteatose simples até a esteatohepatite caracterizada pelos achados histopatológicos de inflamação e fibrose. 

Sua patogenia e progressão seguem pouco compreendidas e o pleno conhecimento a seu respeito poderá contribuir para o desenvolvimento de testes diagnósticos não invasivos e novas técnicas terapêuticas. 

Ainda que as modificações de estilo de vida constituam o objetivo central do tratamento, e o desenvolvimento de novos agentes farmacológicos poderiam ser promissores para pacientes que não respondem a terapia de primeira linha. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade consiste em uma doença crônica complexa e multifatorial que se apresenta quando o consumo de alimentos calóricos supera o gasto energético durante um período suficientemente prolongado. Inicia-se, frequentemente, na infância ou na adolescência. 

O transtorno nutricional crônico é mais frequente em países desenvolvidos; sua prevalência global é de 16% em idades entre 6 e 12 anos. O aumento nas últimas décadas variou entre 2 e 4 vezes.

A prevalência da NAFLD é influenciada por vários fatores que se originam em uma interação genética e ambiental.

Existe uma forte relação com determinantes ambientais, particularmente no âmbito familiar, onde tem origem fatores que condicionam o balanço energético de crianças pequenas. Os pais desempenham um papel muito importante na etiologia da obesidade através: do estado socioeconômico, do nivel de educação, do trabalho de ambos, do sobrepeso, das relações intrafamiliares, da comunicação intrafamiliar, bem como da escolha dos alimentos e da prática de atividades físicas.

O sobrepeso e a obesidade constituem problemas generalizados mundialmente, especificamente na América Latina, sobretudo, na América do Norte e no Caribe, indicando que 23% dos adultos e 7% das crianças em idade pré-escolar encontram-se afetados pelo sobrepeso. Na América Latina, o México figura como a maior taxa de obesidade, que afeta a 32,8% dos adultos; na Venezuela, 30,8%; na Argentina, 29,4%; e no Chile, 29,1%. Em 2013, mais de 42 milhões de crianças menores de 5 anos apresentavam sobrepeso no mundo, dos quais mais de 80% vivia em países em desenvolvimento.

A causa do aumento da incidência da obesidade, entre 20% e 30% dos adultos e entre 3% e 10% das crianças, com uma relação masculino-feminina de 2:1 (em países ocidentais) que podem sofrer de NAFLD. Alcançam, aproximadamente, de 70% a 80% se considerarmos a população de crianças obesas.

Em um estudo realizado em São Diego (EUA), de 742 autopsias em uma população de 2 a 19 anos, entre 1993 e 2003, 9,6% apresentava NAFLD, aumentando para 38% em crianças obesas. Em relação com as etnias, foram observadas as seguintes porcentagens: hispânicos, 12%; asiáticos, 10,2%; anglo-saxões, 8,6%; e afro americanos, 1,5%.


Até mais.

Fonte: rima.org

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Vacine-se contra a Febre Amarela...

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A doença tem maior número de casos no período de dezembro a maio em regiões silvestres, rurais ou de mata. A vacina está disponível em toda a rede pública de saúde
Toda pessoa que reside ou vai viajar para regiões silvestres, rurais ou de mata, que são Áreas com Recomendação da Vacina contra febre amarela, deve se imunizar.A orientação do Ministério da Saúde se justifica porque a doença tem maior número de casos nos meses de dezembro a maio e a transmissão é considerada possível em grande parte do Brasil. A vacina contra a febre amarela é ofertada no Calendário Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e é enviada, mensalmente, para todo o país. Em 2016, foram enviadas aos estados mais de 16 milhões de doses, sendo 2,7 milhões para o estado de São Paulo.
A vacina é altamente eficaz e segura para o uso, a partir dos nove meses de idade, em residentes e viajantes a áreas endêmicas ou, a partir de seis meses de idade, em situações de surto da doença. Todos os estados, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), estão abastecidos com a vacina contra febre amarela e o país tem estoque suficiente para atender toda a população nas situações recomendada.  
O vírus da febre amarela se mantém naturalmente num ciclo silvestre de transmissão, que envolve primatas não humanos (hospedeiros animais) e mosquitos silvestres. O Ministério da saúde realiza a vigilância de epizootias (doenças que atacam animais) desde 1999, com o objetivo de antecipar a ocorrência da doença. Assim é possível fazer a intervenção oportuna para evitar casos humanos, por meio da vacinação das pessoas e também evitar a urbanização da doença por meio do controle de vetores nas cidades.
No último mês de dezembro foi registrado um óbito por febre amarela, no município de Ribeirão Preto no estado de São Paulo. O caso foi acompanhado pelo Ministério da Saúde que verificou que a pessoa morava próxima à área de mata e, consequentemente, de recomendação da vacina.
Desde os primeiros casos suspeitos em macacos, no estado de São Paulo, no ano passado, o Ministério da Saúde mantem permanente articulação com a vigilância do estado para aplicação de medidas de prevenção e controle adequadas, oferecendo apoio técnico, capacitação de profissionais, suporte a investigações de casos, envio de vacinas. Vale ressaltar que 70% da população da cidade de Ribeirão Preto está vacinada contra a febre amarela. 
VACINAÇÃO - A Organização Mundial da Saúde considera que apenas uma dose da vacina já é suficiente para a proteção por toda a vida. No entanto, como pode haver queda na imunidade com o tempo de vacinação, o Ministério da Saúde definiu a manutenção de duas doses da vacina Febre Amarela no Calendário Nacional, sendo o esquema vacinal uma dose aos noves meses de idade com reforço aos quatro anos. Para pessoas de 2 a 59 anos, a recomendação é de duas doses.
Além da vacinação, as pessoas que planejam turismo rural, pescaria, visitação de reservas naturais, parques ecológicos, cachoeiras, rios, florestas, parques urbanos, bem como aqueles que praticam atividades laborais relacionadas ao extrativismo, à fauna e à flora em ambientes rurais e silvestres, devem adotar outras medidas de prevenção, tais como: utilizar roupas que protejam todo o corpo (sapato fechado, camisa de manga longa e calça comprida), usar repelentes e evitar ou reduzir a exposição no horário de maior risco (9h às 16h).
Apesar da alta eficácia do imunobiológico, o Ministério da Saúde alerta que nos casos de pacientes com imunodeficiência, a administração desta vacina deve ser condicionada a avaliação médica individual de risco-benefício, não devendo ser realizada em caso de imunodepressão grave.
Indivíduos com história de reação anafilática relacionada a substâncias presentes na vacina (ovo de galinha e seus derivados, gelatina e outros produtos que contêm proteína animal bovina), assim como pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica), também devem buscar orientação de um profissional de saúde.
SOBRE A DOENÇA - Os sintomas iniciais incluem febre, calafrios, dor de cabeça, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Em casos graves, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Cerca de 20-50% das pessoas que desenvolvem doença grave, podendo vir a óbito.
 Às pessoas que identifiquem alguns destes sinais, o Ministério da Saúde recomenda procurar um médico na unidade de saúde mais próxima e informar sobre qualquer viagem para áreas de risco nos 15 dias anteriores ao início dos sintomas. Essa orientação é importante, principalmente, àqueles que realizaram atividades em áreas rurais, silvestres ou de mata como pescaria, acampamentos, passeios ecológicos, visitação em rios, cachoeiras ou mesmo durante atividade de trabalho em ambientes silvestres.

Acesse no portal do Ministério da Saúde na internet a lista de municípios com recomendação da vacina contra febre amarela:
Até mais.
Fonte: Ministério da Saúde

Novas diretrizes da ADA põem em foco o paciente diabético como um todo...

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Os Standards of Medical Care de 2017 da American Diabetes Association (ADA) incluem um novo foco na avaliação das circunstâncias sociais, psicológicas e financeiras que afetem a capacidade dos pacientes de cuidarem do próprio diabetes sozinhos, com ênfase em ajudar as pessoas com este quadro a viverem uma vida o mais normal possível.
Standards of Medical Care in Diabetes anual da ADA, publicado on-line em 15 de dezembro como suplemento ao periódico Diabetes Care, aborda também o rastreamento de anticorpos para parentes de primeiro grau assintomáticos de pacientes com diabetes tipo 1, com o objetivo de prevenir a cetoacidose diabética, além da nova definição padronizada de hipoglicemia, do uso de empagliflozina (Jardiance, Eli Lilly) ou liraglutida (Victoza, Novo Nordisk) para pacientes com diabetes tipo 2 com doenças cardiovasculares  comprovadas e do monitoramento da deficiência de vitamina B12 induzida pela metformina.
O documento de 142 páginas traz também novos pareceres ou alterações relacionadas com o acompanhamento do diabetes gestacional, a inclusão da avaliação do sono no controle do diabetes, o uso de gorduras e proteínas nos cálculos da dose de insulina, a interrupção da postura sentada a cada 30 minutos, com sessões curtas de exercício e a consideração do uso de cirurgia metabólica (anteriormente bariátrica) já a partir do índice de massa corporal (IMC) de 30 kg/m2.
"A American Diabetes Association é o único grupo que revisa anualmente suas diretrizes clínicas... temos o maior orgulho de a nossa comissão de práticas profissionais trabalhar com afinco para identificar novos dados que tenham repercussões significativas nos desfechos clínicos dos pacientes e de apresentarmos o resultado deste trabalho" todo ano, disse ao Medscape o Dr. Robert E. Ratner, diretor médico e científico da ADA.
O paciente como um todo
Para 2017, a American Diabetes Association recomenda a avaliação de fatores além da esfera médica, que influenciem a capacidade dos pacientes de cuidar do próprio diabetes sozinhos, inclusive as questões relacionadas com acesso à assistência, dificuldades financeiras e insegurança alimentar, juntamente com os transtornos psicológicos ou psiquiátricos.
Um novo capítulo chamado Promoting Health and Reducing Disparities in Populations traz orientações para a promoção de uma assistência centrada no paciente alinhada ao Chronic Care Model, assistência em equipe e encaminhamento para apoio em recursos da comunidade local.
"Você precisa estar ciente dos problemas que influenciam a capacidade de cuidar sozinho da sua doença... não convém nem ao paciente nem ao médico a prescrição de um medicamento de marca caro, se o paciente não puder pagar", observou o Dr. Ratner.
As novas recomendações de avaliação e intervenção psicossocial foram publicados em um documento separado, em 22 de novembro no periódico Diabetes Care.
 
Não estamos apenas administrando a glicose, estamos cuidando de um ser humano que tenta levar uma vida normal.
 
Isso engloba a avaliação dos quadros de angústia, depressão, ansiedade e transtornos alimentares, bem como da capacidade cognitiva, provocados pelo diabetes, usando instrumentos padronizados adequados nas consultas iniciais, intervalos periódicos, ou se o paciente apresentar alguma alteração que suscite preocupação, com a participação de membros da família, quando indicado. Quaisquer problemas encontrados devem ser abordados nas consultas de acompanhamento ou avaliados por meio de encaminhamentos.
Em particular, a depressão é extremamente comum tanto no diabetes tipo 1 quanto no diabetes tipo 2, e duplica o custo do tratamento se não for tratada, afirmou o Dr. Ratner.
"A ideia é que não estamos apenas administrando a glicose, estamos cuidando de um ser humano que tenta levar uma vida normal, e isto é difícil.... em última análise, a pessoa com diabetes é responsável por si e precisamos estar aptos a apoiá-la nessa árdua tarefa", disse ele.
Diagnóstico precoce do diabetes tipo 1
As diretrizes agora também recomendam que parentes de primeiro grau de pessoas com diabetes tipo 1 façam rastreamento de autoanticorpos contra as ilhotas pancreáticas e sejam classificados com base em um modelo em três etapas descrito anteriormente.
Aqueles com resultado positivo para dois ou mais anticorpos em duas ocasiões distintas têm uma probabilidade superior a 95% de desenvolver diabetes tipo 1 e precisam ser monitorados de perto.
As evidências disso são apresentadas em um artigo publicado em 15 de dezembro no periódico Diabetes, resumindo as conclusões de um simpósio de pesquisa realizado em outubro de 2015, intitulado "The Differentiation of Diabetes by Pathophysiology, Natural History, and Prognosis", copatrocinado pelas instituições American Diabetes AssociationEuropean Association for the Study of Diabetes (EASD), Juvenile Diabetes Research Foundation (JDRF) e American Association of Clinical Endocrinologists (AACE).
"É absolutamente fundamental identificar o diabetes tipo 1 antes dos níveis de glicose subirem. Há gente demais fazendo quadros de cetoacidose diabética, que é uma complicação potencialmente fatal", disse o Dr. Ratner.
"Ao identificar as pessoas ainda na fase de soropositividade persistente, temos a oportunidade de pesquisa para intervir e evitar a evolução da doença. Porém, o mais importante: sabemos quem está em risco e podemos começar a terapia antes do quadro de cetoacidose diabética... esta é uma mudança enorme e fundamental da nossa compreensão do diabetes tipo 1".
Definindo a hipoglicemia sem sintomas
Outra nova recomendação, publicada inicialmente em um posicionamento independente em 21 de novembro, alerta para que a hipoglicemia "grave, clinicamente significativa" seja oficialmente definida como um valor abaixo de 54 mg/dL (< 3,0 mmol/L), com um "valor de glicemia de alerta" indicando necessidade de intervenção fixado em 70 mg/dL (3,9 mmol/L) ou inferior. Os sintomas foram removidos da definição.
A recomendação, feita em conjunto com a European Association for the Study of Diabetes, visa padronizar a hipoglicemia descrita nos estudos e para fins de regulamentação, mas também tem implicações clínicas, declarou o Dr. Ratner.
"Ela reconhece o fato de que muitas pessoas não sabem que têm hipoglicemia... se tivermos um valor confirmado de 50 mg/dL, isso significa hipoglicemia grave, mesmo se assintomática... o que estamos dizendo é que as pessoas e seus responsáveis devem se esforçar para nunca chegarem a um valor de glicemia inferior a 54 mg/dL".
O valor de 70 mg/dL não é considerado hipoglicemia, mas sim um nível que sugere ajuste terapêutico, tal como o ajuste da dose de insulina, da alimentação ou a suspensão da bomba de insulina do paciente.
"Nossas terapias não são tão boas, por isso precisamos de uma zona de tamponamento entre um nível potencialmente perigoso e o momento da nossa intervenção", explicou o Dr. Ratner.
Endocrine Society também acaba de lançar um novo modelo que estabelece um quadro de referência para reduzir a incidência de hipoglicemia.
Revisões das diretrizes farmacológicas
Um novo capítulo específico das normas da American Diabetes Association é dedicado às abordagens farmacológicas para o tratamento da glicemia descompensada (as orientações anteriores incluíam as abordagens não farmacológicas no mesmo capítulo).
Nestas diretrizes, foi acrescentado um comunicado no qual "para os pacientes com longo período de diabetes tipo 2 com controle aquém do ideal e doença aterosclerótica cardiovascular comprovada, deve-se considerar o uso de empagliflozina ou liraglutida, uma vez que estas drogas demonstraram capacidade de reduzir a mortalidade, cardiovascular e por todas as causas, quando usadas junto com o tratamento convencional".
Alguns esperavam uma recomendação mais enfática na sequência dos resultados dos ensaios clínicos EMPA-REG OUTCOME Liraglutide Effect and Action in Diabetes: Evaluation of Cardiovascular Outcome Results (LEADER), mas as evidências não corroboraram o uso destes medicamentos além dos tipos específicos de pacientes estudados, destacou o Dr. Ratner.
"O EMPA-REG e o LEADER foram estudos muito importantes, e nós os debatemos exaustivamente, assim como o valor potencial deles para os pacientes com doença cardiovascular subjacente, porque estes foram os pacientes estudados... mais da metade dos pacientes nos dois ensaios já utilizavam insulina. A empagliflozina e a liraglutida foram usadas em uma fase mais tardia da doença. Assim, considere-se de forma absoluta o uso delas para os pacientes com doença cardiovascular comprovada, porque estes foram os que se beneficiaram".
Também abrangida no capítulo farmacológico foi a nova recomendação baseada em evidências de considerar a avaliação periódica dos níveis de vitamina B12 nos pacientes em uso prolongado de metformina e fazer a complementação conforme necessário, seguindo os trabalhos sobre a associação entre o uso da metformina e a deficiência de vitamina B12.
E, à luz da ênfase global nas circunstâncias da vida real, pela primeira vez este ano as diretrizes trazem informações sobre o custo médio dos hipoglicemiantes, inclusive as insulinas.
O Dr. Ratner é funcionário da American Diabetes Association e não possui conflitos de interesse relevantes ao tema. As declarações dos coautores estão listadas no artigo.
Diabetes Care. Publicado on-line em 15 de dezembro de 2016. Recomendações 2017 da ADA
Até mais.
Fonte: Medscape

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