segunda-feira, 8 de maio de 2017

Pâncreas artificial melhora diabetes nas crianças...

 O pâncreas artificial, que fornece insulina de forma automatizada para indivíduos com diabetes tipo 1, parece ser segura e eficaz para utilização em crianças com idades entre 5 a 8 anos.
O sistema "inteligente" de pâncreas artificial, pioneiro na Universidade da Virgínia (UVA), supostamente melhorou a glicose no sangue, ou açúcar no sangue, controle melhor do que o método usual das crianças de diabetes como a bomba de insulina.
"Até agora, os pais e os médicos tiveram que decidir quanto insulina dar às crianças ao longo do dia para evitar perigosamente baixos ou elevados de açúcar no sangue", disse o investigador principal, Mark DeBoer, MD, M.Sc., MCR, associado Professor de UVA em Charlottesville, Virgínia. "Mesmo com uma bomba de insulina, pode ser difícil saber quanto insulina requer a criança devido a flutuações no conteúdo de carboidratos nos alimentos e no nível de atividade da criança".
"Nossos dados do estudo mostram, pela primeira vez, que entre as crianças pequenas, 5 a 8 anos de idade, este pâncreas artificial mantém açúcar no sangue na faixa alvo melhor do que o regime domiciliar habitual.
Pesquisas anteriores já encontraram o pâncreas artificial para ser eficaz na melhoria do controle de açúcar no sangue em adultos e adolescentes com diabetes tipo 1. Pessoas com este tipo de diabetes devem receber insulina ao longo do dia, como através de múltiplas injeções diárias ou uma bomba de insulina, que fornece insulina 24 horas por dia através de um cateter colocado sob a pele.
O pâncreas artificial usa dois dispositivos de diabetes disponíveis - uma bomba de insulina e um monitor de glicose contínua, que detecta os níveis de açúcar no sangue em uma base contínua. Embora esses dispositivos tipicamente não "conversem" uns com os outros, o sistema experimental conecta os dispositivos usando sofisticados algoritmos computacionais, explicou DeBoer.
"Com exceção da dosagem de insulina para a ingestão de alimentos, o pâncreas artificial toma todas as decisões de dosagem", disse ele. "Ele pode rastrear o nível de açúcar no sangue do paciente e ajustar a quantidade de insulina administrada para manter o açúcar no sangue em um intervalo alvo."
DeBoer e seus colegas testaram o pâncreas artificial por 68 horas em seis meninos e seis meninas com diabetes tipo 1 cuja idade variou de 5 a 8. Os pesquisadores também rastrearam o controle de açúcar no sangue das crianças usando seu regime de cuidados domiciliares habituais por 68 horas. Todas as crianças usaram normalmente uma bomba de insulina e monitorização contínua da glicose. Ao comparar os níveis de açúcar no sangue, os pesquisadores ajustaram os níveis para a quantidade de atividade que cada criança tinha.
Com o pâncreas artificial, as crianças tiveram um tempo maior no intervalo de açúcar no sangue alvo, que foi de 70 a 180 mg / dL: em média, 73 por cento do tempo contra 47 por cento com seus cuidados domiciliários habituais, DeBoer relatou. Eles também tinham muito menos tempo com níveis elevados de açúcar no sangue (acima de 180 mg / dL): 25,8% do tempo, em comparação com 51,5% com os cuidados domiciliários habituais. Além disso, disse ele, não houve aumento nos episódios de baixa de açúcar no sangue, com uma média de apenas 3,3 episódios baixos de açúcar no sangue com o pâncreas artificial e quatro desses episódios com habituais cuidados domiciliários.
"Esses resultados, embora em um pequeno número de crianças, mostram grande promessa, porque resultados semelhantes foram encontrados em estudos em larga escala de indivíduos mais velhos com diabetes tipo 1", disse DeBoer. "No futuro, este tipo de tecnologia é susceptível de se tornar o padrão de cuidados para o diabetes tipo 1 controle para crianças nesta faixa etária."
Até mais.
Apresentado no ENDO 2017. OR12-2.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Microbioma infantil pode influenciar a ocorrência de diabetes tipo 1...

Os fatores ambientais que comprometem a saúde do microbioma intestinal, tais como o uso generalizado de antibióticos, podem constituir a base de algumas das marcantes diferenças na prevalência de diabetes tipo 1 observadas entre populações vizinhas, dizem pesquisadores finlandeses.
Crianças finlandesas têm um índice muito mais alto de diabetes tipo 1 do que crianças russas na Carélia, região fronteiriça da Finlândia, e uma série de estudos realizados no âmbito de doutorado, pelo Dr. Tommi Vatanen e colaboradores, indica que esta variação pode ser, ao menos em parte, causada por diferenças no microbioma intestinal.
O Dr. Vatanen, do Departamento de Ciência da Computação, Aalto University, Helsinki (Finlândia) e outros estudaram as alterações do microbioma pouco antes do aparecimento do diabetes tipo 1, e também investigaram o impacto do tratamento antimicrobiano no microbioma.
Os resultados foram divulgados em quatro artigos publicados anteriormente, sobre quase 300 crianças na Finlândia, na Estônia e na Carélia russa, juntamente com dados de mais de 1.000 adultos holandeses. Agora o trabalho foi pela primeira vez articulado em conjunto e publicado on-line pela Aalto Yliopisto em 24 de março, como a tese de doutorado de Vatanen.
"A composição da microflora no intestino das crianças foi extremamente diferente entre os recém-nascidos russos e finlandeses, explicou Vatanen em uma coletiva à imprensa na universidade de Aalto.
"Os participantes finlandeses começaram a produzir os autoanticorpos do diabetes tipo 1, ou seja, os primeiros sinais da doença. As crianças russas não produziram autoanticorpos".
Para Vatanen, os achados destacam a importância do microbioma nos primeiros anos de desenvolvimento do sistema imunológico. Ele disse: "De certa forma, os micróbios intestinais ensinam o sistema imunológico. Se algo der errado tão cedo, as doenças autoimunes podem se tornar mais comuns".

Diferenças marcantes desde o início da vida entre a Finlândia, a Estônia e a Carélia russa

Falando ao Medscape, Vatanen disse que, desde muito cedo, quando começaram a estudar as três populações na Finlândia, na Estônia e na Carélia russa, observaram "uma diferença acentuada", então o objetivo tornou-se basicamente encontrar algum detalhe significativos nessas diferenças".
Eles iniciaram este projeto há quatro anos, no início do doutorado. "Naquela época, muito pouco se sabia sobre a microbiota infantil", explicou. "Todo esse campo cresceu tão rapidamente que nós basicamente fizemos o primeiro estudo para descrever a natureza dinâmica do desenvolvimento do microbioma".
A inspiração veio de um trabalho anterior mostrando que, apesar de compartilhar uma região geográfica e um patrimônio genético semelhante, existe um gradiente acentuado para as doenças autoimunes e as alergias entre a Finlândia e a Carélia russa, com, por exemplo, a incidência do diabetes tipo 1 sendo de cinco a seis vezes maior, e a incidência de doenças alérgicas de duas a seis vezes maior na Finlândia.
Além disso, a incidência do diabetes tipo 1 e de alergias tem aumentado rapidamente na Estônia, partindo de níveis semelhantes aos da Carélia russa até os observados na Finlândia, junto com a modernização do estilo de vida nos últimos anos.
Para aprofundar a pesquisa, a equipe realizou o estudo DIABIMMUNE, no qual foram recrutadas 678 crianças e suas famílias na Finlândia, na Estônia e na Carélia russa, sendo todos os lactentes acompanhados até os três anos de idade.
Coletando amostras de fezes mensalmente, junto com amostras de sangue aos três, seis, 12, 18, 24 e 36 meses de idade, a equipe comparou os microbiomas intestinais entre as 222 crianças provenientes dos três países. Eles descobriram que os Bacteroides spp. eram muito menos abundantes entre as crianças russas, mas predominavam entre as crianças finlandesas e estonianas. Em seguida, eles demonstraram que em camundongos os Bacteroides spp. podem ser "silenciadores imunitários", interferindo no desenvolvimento imunitário normal.
Em seguida, a equipe pesquisou 33 lactentes com predisposição genética ao diabetes tipo 1 e encontrou alterações específicas na microbiota intestinal que precedem o início do diabetes tipo 1, e diferenciam os casos nos quais o diabetes progrediu dos casos nos quais a doença não progrediu.
Eles, então, fizeram um estudo (posterior) publicado no periódico Science Translational Medicine, comparando os microbiomas de crianças que nunca haviam tomado antibióticos aos microbiomas de crianças que haviam feito mais de nove tratamentos com antimicrobianos durante os primeiros anos de vida.
A microbiota das crianças tratadas com antibióticos teve menor diversidade tanto em termos espécies bacterianas quanto de cepas bacterianas, com algumas espécies frequentemente dominadas por certas cepas.
E os genes de resistência aos antibióticos nos cromossomos microbianos exibiram um pico de abundância após o tratamento com antibióticos, seguido de um declínio acentuado, embora alguns destes genes tenham persistido mais tempo após o término da terapia antimicrobiana.
Numa quarta pesquisa, publicada no periódico Science, os pesquisadores realizaram o sequenciamento detalhado dos microbiomas intestinais por meio de amostragem fecal de 1.135 participantes da coorte prospectiva holandesa LifeLines com165.000 adultos. Eles também elaboraram questionários para os participantes e verificaram que a composição da flora intestinal se correlacionou a vários fatores, como dieta, uso de medicamentos, número de eritrócitos, cromogranina A fecal, e consistência das fezes. Estes dados deram algumas indicações de possíveis marcadores biológicos de comunidades intestinais normais.

Uso de probióticos poderia prevenir diabetes tipo 1 em recém-nascidos?

Vatanen teve o cuidado de salientar que a partir de suas descobertas não é possível afirmar que o aumento do uso de antibióticos, por si só, esteja causando as diferenças marcantes da incidência do diabetes tipo 1 nas populações estudadas.
O início do diabetes tipo 1 "é bastante complicado, e há vários fatores que o determinam", embora "a microbiota intestinal seja provavelmente um deles", observou o pesquisador.
Vai ser muito trabalhoso e demandará "algum tempo" para aprofundar ainda mais o estudo desta conexão, e estabelecer se existe alguma relação causal, enfatizou Vatanen, lembrando que ele e seus colaboradores já estabeleceram o próximo projeto nesta área.
"Um plano muito concreto que temos a seguir é o de buscar algo que possa ter efeito protetor, caminhando assim um pouco em outra direção", explicou.
"Há algumas descobertas recentes sugerindo que os probióticos, especialmente no início da vida, digamos, nas primeiras quatro semanas, possam proteger contra o diabetes tipo 1."
Estas incluem um conjunto de dados do projeto The Environmental Determinants of Diabetes in the Young (URSO), um estudo internacional em andamento com mais de 7.000 crianças. Em um relatório publicado no periódico JAMA Pediatria em 2015, conforme noticiado pelo Medscape, as crianças com risco genético de diabetes tipo 1 e que receberam probióticos antes dos três meses de idade, tiveram uma redução de 33% no risco de autoimunidade contra as células beta das ilhotas pancreáticas.
Vatanen e colaboradores estão agora na fase do recrutamento de famílias para um estudo com probióticos, no qual algumas crianças irão tomar probióticos, mas outras serão incluídas como controles, em um modelo duplo-cego.
"Assim esperamos aprender algo um pouco mais específico sobre esse efeito protetor dos probióticos", concluiu o pesquisador.
Este trabalho foi generosamente apoiado e subsidiado pelo Helsinki Doctoral Program in Computer Science  (Hecse), pela Juvenile Diabetes Research Foundation (JDRF) e pela Academy of Finland's Center of Excellence in Molecular Systems Immunology and Physiology Research (SyMMyS). Os autores informaram não possuir conflitos de interesse relativos ao tema.
Vatanen T. Metagenomic Analyses of the Human Gut Microbiome Reveal Connections to the Immune System [dissertation]. Helsinki: Aalto University, 2016. 
Até mais.
Fonte: Microbioma infantil pode influenciar a ocorrência de diabetes tipo 1 - Medscape - 3 de mai de 2017.

Teste do ACTH na Hiperplasia congênita de suprarrenal forma tardia...

Na suspeita de deficiência de 21OHlase:

  • colher o sangue entre 6 e 8 da manhã e em jejum.
  • Nas mulheres que já menstruaram, colher na fase folicular (entre o terceiro e quinto dia após a menstruação).
  • >2ng/mL(basal) é indicativo do teste do ACTH.
  • 21desoxicortisol >400pg/ml, sugere o diagnóstico.
  • Cortisol após 60 minutos deve ser maior que 18mg/dL.
  • 17OHP >10ng/ml após 60 minutos é diagnóstico.
Na suspeita de deficiência de 11b-HSD não clássica:

  • 11-desoxicortisol(basal) > 10ng/mL na deficiência.
  • Valor de corte para nível basal: 6,95ng/ml (pré-púbere) e 7,23ng/mL (púbere).
  • Após 60minutos > 18ng/mL é diagnóstico.
Na suspeita de deficiência de 3b-HSD não clássica:
  • 17OHpregnenolona >30ng/mL para o diagnóstico.
Até mais.

Fonte: Non-Classical Congenital Adrenal Hyperplasia in Childhood

(J Clin Res Pediatr Endocrinol 2017; 9: 1-7)

sexta-feira, 3 de março de 2017

Novas diretrizes abrangem o uso de hormônio do crescimento (GH) e IGF-1 em crianças e adolescentes...

Pediatric Endocrine Society publicou novas diretrizes para o tratamento de crianças e adolescentes com déficit de crescimento devido à deficiência de hormônio do crescimento (GH), baixa estatura idiopática (BEI) ou deficiência primária de IGF-1 (insulinlike growth factor 1 ou somatomedina C).
O documento, publicado na edição de janeiro da revista Hormone Research in Pediatrics, atualiza as recomendações emitidas pela sociedade em 2003 e, pela primeira vez, fornece informações sobre o uso de terapia com IGF-1 recombinante, assim como sobre o tratamento com GH.
Embora a terapia com hormônio do crescimento esteja evoluindo, ainda existem lacunas de conhecimento importantes; "Não sabemos o desfecho em longo prazo na estatura adulta," escrevem a autora principal Dra. Adda Grimberg, endocrinologista pediátrica no Children's Hospital of Philadelphia, Pensilvânia, e colegas.
Eles observam que grande parte do tratamento para baixa estatura baseia-se na "suposição de que uma maior estatura levará a uma melhor qualidade de vida", então é preciso validar medidas de qualidade de vida adequadas. Também são necessários dados de longo prazo confiáveis, de adultos que foram tratados por baixa estatura na infância, afirmam.
Além disso, hospitais e médicos devem adotar ensaios padronizados universais de IGF-1 e hormônio do crescimento, observam eles.
"Dadas as questões não respondidas, as diferenças sutis e o status dinâmico do assunto, recomendamos que apenas os endocrinologistas pediátricos gerenciem a avaliação e o tratamento dessas condições", resumem.
Ao mesmo tempo, "reiteramos a importância do tratamento individualizado dos pacientes".
"Administrar o tratamento de hormônio do crescimento pode ajudar crianças de baixíssima estatura a ganharem alguns centímetros, mas também as expõe a um poderoso hormônio, quando não sabemos completamente as implicações em longo prazo", advertiu o coautor Dr. Chris Feudtner, pediatra e diretor do departamento de Ética Médica do Children's Hospital of Philadelphia, emum comunicado emitido pela instituição.

Benefícios do tratamento superam danos na deficiência grave de GH

Em 1985, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA aprovou o uso de hormônio do crescimento humano recombinante para tratar pacientes pediátricos com déficit de crescimento devido à produção inadequada de hormônio do crescimento endógeno, observam a Dra. Adda e colegas.
Em 2003 a FDA expandiu a indicação para incluir o tratamento da baixa estatura idiopática, definida como uma altura de 2,25 desvios-padrão abaixo da média, o que corresponde a ser menor do que 160 cm para um adulto do sexo masculino e a ter menos de 150 cm para um do sexo feminino.
Em 2005, a FDA aprovou o IGF-1 para o tratamento de longo prazo do déficit de crescimento em pacientes pediátricos com deficiência primária grave de IGF-1 (níveis de IGF-1 e estatura abaixo de 3 desvios-padrão), mas não para deficiência de IGF-1 secundária à deficiência de GH, desnutrição, hipotireoidismo, ou outras causas.
Assim, nesta nova abordagem, e em nome do Drug and Therapeutics Committee e do Ethics Committee of the Pediatric Endocrine Society, os autores da diretriz avaliaram as evidências e desenvolveram recomendações usando o sistema GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation).
"Crianças com deficiência grave de hormônio do crescimento se beneficiam tanto do tratamento com hormônio de crescimento, que os benefícios marcadamente superam qualquer potencial dano", escrevem eles.

Para baixa estatura idiopática sem deficiência de GH, tratamento é questão de opinião

No entanto, para as crianças com baixa estatura idiopática que não têm deficiência do hormônio de crescimento, os benefícios de atingir uma estatura maior por meio do tratamento com hormônio de crescimento são "incertos e de menor magnitude".
Além disso, o alto custo da terapia com GH (de US$14.000 a US$21.000 por cada centímetro ganho) "é difícil de justificar àqueles para quem não está claro se o tratamento tem benefícios", afirmam a Dra. Adda e colegas.
Os autores oferecem, portanto, uma recomendação condicional, aconselhando contra o uso rotineiro do hormônio de crescimento como tratamento para baixa estatura idiopática. Em vez disso, eles recomendam que os pais e os médicos adotem uma abordagem de tomada de decisão compartilhada, pesando as cargas físicas e psicológicas para a criança, juntamente com uma discussão de riscos e benefícios.
"O tratamento com GH para pacientes com deficiência de hormônio do crescimento oferece benefícios para a saúde que vão além da estatura. Mas tratar baixa estatura idiopática com terapia hormonal se resume à questão da altura", observa a Dra. Adda no comunicado divulgado pelo hospital.
Além disso, "ao contrário dos pacientes com deficiência de hormônio de crescimento, nem todos os pacientes com baixa estatura idiopática aumentam de estatura em resposta ao tratamento com o hormônio de crescimento, então a opção por tratar a baixa estatura idiopática é mais uma questão de opinião ".
Alguns pais de crianças com baixa estatura, mas que não se enquadram na definição da FDA para baixa estatura idiopática têm procurado tratamento com GH para os filhos, muitas vezes pagando com recursos próprios, uma vez que, frequentemente, esses casos não são cobertos por seguro.
E há um viés de gênero em questão aqui –como relatado anteriormente –, Dra. Adda e colegas determinaram em um estudo recente que meninos com baixa estatura eram três vezes mais propensos do que meninas a serem tratados com hormônio de crescimento para baixa estatura idiopática.
Dra. Adda recebeu honorários da Scherer Clinical Communications para uma palestra em um curso apoiado por uma bolsa da Novo Nordisk e se juntou ao comitê diretivo do banco de dados da Pfizer International Growth Study (KIGS) depois que as diretrizes foram escritas e submetidas para revisão. Os conflitos de interesse dos coautores estão listados no artigo.
Até mais.
Fonte: Medscape.com.br
Horm Res Paediatr. 2016;86:361–397. Artigo

Ministério da Saúde amplia vacinação em todas as faixas etárias...


Os postos de saúde de todo o país já estão com o novo calendário de vacinação para 2017. Neste ano, foi ampliado o público-alvo de seis vacinas: tríplice viral, tetra viral, dTpa adulto, HPV, Meningocócica C e  hepatite A. A medida foi possível devido à economia de R$ 66,5 milhões, obtida pelo Ministério da Saúde, a partir da negociação e redução de até 11% no valor da dose de três vacinas: Hepatite A, HPV e dTpa. A eficiência de gestão garantiu a ampliação da cobertura vacinal e a aquisição de mais de 11,5 milhões de doses da vacina de febre amarela. 



“O Ministério da Saúde investe anualmente R$ 3,9 bilhões na compra de 300 milhões de doses de vacinas para proteger contra 20 tipos de diferentes de doenças. Estamos conseguindo negociar com os fornecedeores, inclusive os laboratórios públicos, vacinas por um menor. Só em três vacinas, economizamos R$ 66,5 milhões, e com isso, conseguimos ampliar a vacinação para diversos grupos, como por exemplo, a vacina HPV para meninos. Assim, vamos alcançar maior cobertura vacinal e mais segurança de saúde para a população”, afirmou o ministro da Saúde, Ricrado Barros. 

A coordenadora do Programa Nacional de imunização (PNI), Carla Domingues, alertou para a necessidade da população ficar atenta às vacinas que estão disponíveis durante todo o ano nos postos de saúde. “Não adianta termos todas as vacinas preconizadas pelo Organização Mundial de Saúde (OMS) disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), se a população não se conscientizar da necessidade de manter a caderneta de vacinação atualizada”, destacou Carla Domingues.  Para ela, “é preciso que a população brasileira passe a considerar a vacinação como uma ação de familía, não restrita apenas aos cuidados com as crianças. Adolescentes e adulto também precisam manter esse documento de vacinação atualizada e em dia”, ressaltou. 

HEPATITE A – A vacina hepatite A passa a ser disponibilizada para crianças até 5 anos de idade. Antes, a idade máxima era até 2 anos. Essa vacina é altamente eficaz, com taxas de soroconversão de 94% a 100%. Em países que adotaram o esquema de vacinação com uma dose, houve controle da incidência da doença, principalmente em creches e instituições semelhantes, proporcionando proteção de rebanho para a população geral. Além disso, estudos também têm demonstrado que, em cerca de 95% dos vacinados, há produção de anticorpos em níveis protetores, quatro semanas após a vacinação com uma dose.

TETRA VIRAL (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) – Em 2017, para as crianças, há ampliação da oferta da vacina tetra viral, passando a ser administrada de 15 meses até quatro anos de idade. Antes era administrada na faixa etária de 15 meses a menor de dois anos de idade. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) recomenda a vacinação das crianças com a tríplice viral (sarampo, Caxumba e rubéola) aos 12 meses de idade (primeira dose) e aos 15 meses com a tetra viral (segunda dose com a varicela). Vale reforçar que em países que adotaram esquema de uma dose contra varicela (semelhante ao do Brasil) houve queda acentuada do número total de casos da doença, de hospitalizações e de óbitos a ela relacionados. 

HPV – Também será ofertada, a partir de 2017, a vacina HPV para meninos. Desde 2014, a vacina é oferecida para meninas de 9 a 13 anos. Agora, o público-alvo incluirá também meninas de 14 anos. Ainda para este ano, além dos meninos, a vacina também será oferecida para homens vivendo com HIV e aids entre 9 e 26 anos de idade, e para imunodeprimidos, como transplantados e pacientes oncológicos. Desde 2015, as mulheres (9 e 26 anos) que vivem com HIV/Aids recebem a vacina. 

MENINGOCÓCICA C – O Ministério da Saúde também passou a disponibilizar a vacina meningocócica C (conjugada) para adolescentes de 12 a 13 anos. A faixa-etária será ampliada, gradativamente, até 2020, quando serão incluídos crianças e adolescentes com 9 anos até 13 anos.A meta é vacinar 80% do público-alvo, formado por 7,2 milhões de adolescentes. Além de proporcionar proteção aos adolescentes, a ampliação alcançará o efeito protetor da imunidade de rebanho; ou seja, a proteção indireta das pessoas não vacinadas. O esquema vacinal para esse público será de um reforço ou uma dose única, conforme a situação vacinal. 

dTpa ADULTO – Avacina adsorvida difteria, tétano e pertussis (acelular) tipo adulto passa a ser  recomendada para as gestantes a partir da 20ª semana de gestação. As mulheres que perderam a oportunidade de serem vacinadas durante a gestação, devem receber uma dose de dTpa no puerpério, o mais precoce possível. Com essa medida, o Ministério da Saúde busca garantir que os bebês possam nascer protegidos contra a coqueluche, por conta dos anticorpos que são transferidos da mãe para o feto, evitando que eles contraiam a doença até que completem o esquema de vacinação com a vacina penta, o que só ocorre aos seis meses de idade. 

Apesar da vacina dTpa poder ser aplicada no puerpério, é importante ressaltar que esta estratégia só deve ser realizada como última opção, pois ao se vacinar uma gestante após o parto, não haverá transferência de anticorpos para o feto, consequentemente, há diminuição da possibilidade de proteção das crianças contra a coqueluche nos primeiros meses de vida. 

TRIPLICE VIRAL (sarampo, caxumba e rubéola) - Outra alteração se deu para a vacina tríplice viral, com a introdução da segunda dose para a população de 20 a 29 anos de idade. Anteriormente, a segunda dose era administrada até os 19 anos de idade. Com esta mudança, busca-se a correção da falha vacinal neste grupo e também considera a situação epidemiológica da caxumba nos últimos anos, cujos surtos têm acometido, principalmente, adolescentes e adultos jovens nesta faixa etária. A adoção do esquema de duas doses para esse grupo contribuirá na redução de casos da doença. Deste modo, duas doses contra sarampo, caxumba e rubéola passam a ser disponibilizadas para pessoas de 12 meses até 29 anos de idade. Para os adultos de 30 a 49 anos permanece a indicação de apenas uma dose de tríplice viral.

VACINAS – Atualmente são ofertadas gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) 19 vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), beneficiando todas as faixas etárias. Por ano, são disponibilizados pela rede pública de saúde de todo o país, cerca de 300 milhões de doses de imunobiológicos para combater mais de 20 doenças. 

Em 2016, o investimento do Ministério da Saúde na oferta de vacinas foi de R$ 3,9 bilhões um crescimento de 225% na comparação com o ano de 2010, quando foi investido R$ 1,2 bilhão. Para 2017 está previsto um investimento de R$ 3,9 bilhões.


Até mais.

Fonte: Ministério da Saúde.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Pâncreas artificial é quase realidade, mas é necessário mais pesquisas...

Enquanto o desenvolvimento de um sistema de administração de insulina em circuito fechado, ou "pâncreas artificial", para pessoas com diabetes tipo 1 está avançando rapidamente – no ano passado houve a primeira aprovação nos Estados Unidos de um dispositivo, um passo importante nesse sentido – a maior parte os estudos até agora foi pequena, e faltam dados para subgrupos de pacientes importantes, afirma um especialista.
"Nos últimos anos, a automação da administração de insulina – também conhecida como o pâncreas artificial ou o circuito fechado – tem feito um enorme progresso", escreve o Dr. J. Hans DeVries, da University of Amsterdam (Holanda), em um editorial no Lancet Diabetes & Endocrinology, que acompanha o último estudo da Dra. Lia Bally, do Wellcome Trust-Medical Research Council Institute of Metabolic Science, em Cambridge (Reino Unido), e colaboradores, também publicado on-line em 13 de janeiro, no periódico Lancet Diabetes & Endocrinology.
Entretanto, o Dr. DeVries também observa que os sistemas em circuito fechado não foram devidamente estudados em pacientes com diabetes tipo 1 cuja glicemia sérica é mal controlada, ou em pessoas com percepção ruim de hipoglicemia.
Além disso, "para uma avaliação verdadeira dos méritos do tratamento em circuito fechado são necessários grandes ensaios controlados ", destaca ele.
Vários desses estudos estão atualmente em andamento, diz ele, incluindo uma comparação randomizada por seis meses de um sistema em circuito fechado com terapia por bomba de insulina com sensor em 120 pacientes, e um estudo multicêntrico, randomizado e controlado em 1500 pacientes adultos e pediátricos com diabetes tipo 1 comparando o primeiro pâncreas artificial a ser aprovado nos Estados Unidos, o sistema  "de circuito fechado híbrido" 670G da Medtronic, com terapia de insulina baseada em bomba ou injeção sem sensores contínuos de glicose.
Enquanto isso, o estudo mais recente da Dra. Lia e colaboradores acrescenta evidências indicando "que esses sistemas têm o potencial de melhorar o controle glicêmico, mesmo em pacientes com diabetes tipo 1 bem controlado", escreve o Dr. DeVries.

Resultados em adultos bem controlados compatíveis com outros dados

O novo ensaio randomizado cruzado realizado pela Dra. Lia e equipe comparou o fornecimento de insulina em circuito fechado "híbrido" diurno e noturno com a terapia usual com bomba de insulina durante quatro semanas em 29 adultos com diabetes tipo 1 com níveis basais de HbA1c abaixo de 7,5%.
O termo "híbrido" se refere à necessidade de os usuários determinarem a quantidade de insulina antes das refeições, enquanto o sistema ajusta automaticamente a dosagem basal – o mesmo desenho do dispositivo 670G, o pâncreas artificial da Medtronic.
As leituras de glicemia do sensor estavam na faixa-alvo (3,9 - 10,0 mmol/L ou 70 a 180 mg/dL), o desfecho primário do estudo, 76,2% do tempo durante a fase de circuito fechado, em comparação com 65,6% durante o tratamento usual com bomba de insulina com monitorização contínua de glicemia (CGM) oculta, uma diferença significativa (P < 0,0001).
O sistema em circuito fechado também reduziu a proporção de tempo com níveis de glicemia acima de 180 mg/dL em 6,9 pontos percentuais (P = 0,0003) e abaixo de 70 mg/dL em 50% (P < 0,0001).
"Assim, em adultos ativamente engajados com o próprio tratamento a administração de insulina em circuito fechado pode trazer benefícios adicionais, justificando o seu uso nesta população em particular", afirmam Dra. Lia e colaboradores.
O Dr. DeVries diz que as conclusões são consistentes com resultados anteriores da equipe de Cambridge e de outros centros, mas dados em condições reais fora dos ensaios clínicos podem variar, reitera ele.
A Dra. Lia e a equipe concordam que mais trabalhos são necessários: "Estudos maiores e mais longos são necessários para validar nossos resultados", concluem.

Pâncreas artificial será lançado nos EUA em abril

Medtronic 670G, também um sistema em circuito fechado "híbrido", foi aprovado pela US Food and Drug Administration com base em um estudo de 12 semanas com apenas 124 participantes e deverá ser lançado nos Estados Unidos em abril e em outros mercados posteriormente este ano.
Em relação ao lançamento o Dr. DeVries comenta: "O dispositivo da Medtronic será um dispositivo de circuito fechado de primeira geração com um algoritmo proporcional de controle derivativo integrativo com feedback de insulina que talvez possa ser melhorado, e o usuário ainda precisa anunciar refeições e exercícios para o dispositivo".
E "apenas pacientes proficientes com a bomba de insulina e com a monitoração contínua da glicemia serão elegíveis" para usar este dispositivo, observa ele.
No entanto, "esta aprovação significa que, graças ao trabalho de muitas décadas, o sonho de um sistema fechado vai finalmente entrar na prática clínica convencional. De fato, este momento ansiosamente aguardado será um marco no tratamento do diabetes tipo 1", conclui.
A instituição do Dr. DeVries recebeu apoio material para estudos clínicos relacionados a sistemas em circuito fechado de Abbott, Dexcom, Insulet, Medtronic, Roche e Sanofi. A Dra. Lia declarou não possuir conflitos de interesse relevantes. As declarações para os coautores estão listadas no artigo.
Até mais.
Fonte:
Lancet Diabetes Endocrinol. Publicado on-line em 13 de janeiro de 2017. ArtigoEditorial

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Pâncreas Artificial...

Muito se comemorou, e com razão, contudo pouco se falou sobre as características e limitações de tal sistema. Aqueles que acompanham de perto o desenvolvimento da tecnologia em diabetes notaram que o nome e o visual do equipamento Minimed 670G® assemelha-se muito aos já lançados 630G®, nos EUA, e 640G®, na Europa, Oceania e Chile. E, realmente, não é apenas uma coincidência. Esses modelos já lançados, mas que ainda não chegaram ao Brasil, contêm recursos importantes que permitiram chamar o 670G® de primeiro pâncreas artificial híbrido. O principal deles é o SmartGuard®, presente já no modelo 640G®, que considera a taxa de queda da glicemia para suspender a liberação de insulina 30 minutos antes de se aproximar do valor programado como limite entre glicemia alvo e hipoglicemia. Além disso, esse recurso volta a liberar insulina automaticamente a partir de 30 minutos depois, caso já não haja mais risco de hipoglicemia, sem que o usuário precise tomar qualquer atitude para isso.
Mas e então, quais as novidades do 670G®? As novidades começam pelo sensor, que passa a durar 7 dias (o atual dura 6) e possui sistema de redundância (dois sítios reativos, sendo que o valor da glicose só é apresentado se coincidir em ambos os sítios). Associado a isso está o novo algoritmo, que permite que, especialmente durante a noite, o sistema tome decisões sobre o aumento ou a redução da insulina basal liberada de acordo com a glicose medida pelo sensor (fase de sistema fechado). Isto é, caso seja detectada tendência de alta, o sistema passa a liberar mais insulina, a fim de evitar que seja atingido o limite de hiperglicemia; e, caso a glicose esteja baixando, a insulina liberada é reduzida ou suspensa, a fim de evitar hipoglicemia. Muito bem, mas e durante o dia? Durante o dia o sistema apresenta características semelhantes ao 640G® (fase de sistema aberto), porém aperfeiçoadas. Por isso se trata de um sistema híbrido (não totalmente fechado, como um pâncreas artificial ideal). Apesar de, especialmente durante a noite, o sistema fazer ajustes automáticos, durante o dia o sistema depende de instruções do usuário, a fim de liberar a quantidade adequada de insulina bolus para uma refeição; assim como reduzir o basal de insulina com antecedência, para a prática de atividade física, por exemplo. Portanto, nesse e em outros sistemas híbridos, a ação do usuário contando carboidratos, decidindo sobre doses, e a do profissional de saúde programando diferentes basais, fatores de sensibilidade e razões insulina/carboidrato, ainda não poderá se aposentar.
Outras empresas também estão de olho nesse atraente negócio de rápida evolução. Entre elas está a Animas®, empresa de bombas de insulina do grupo Johnson & Johnson®, que prevê para o fim do próximo ano o lançamento do sistema híbrido “Minimizador de Hipos e Hipers” (Hipoglycemia-Hyperglycemia Minimizer®). Sem contar o grupo independente Open APS, que, desde 2014, tem disponibilizado as instruções (algoritmo e lista de equipamentos necessários) para se fazer em casa um pâncreas artificial híbrido (sem garantia, mas que tem sido testado por pessoas de diferentes países, “por conta e risco”).  
Para quem se interessou e já está querendo um, é bom saber que não há previsão para chegar ao Brasil. O sistema 670G® tem lançamento previsto inicialmente apenas nos EUA, entre os meses de março e junho (primavera do hemisfério norte), com indicação para quem tem a partir de 14 anos de idade.   
Até mais.
Fonte:
FDA News Release. FDA approves first automated insulin delivery device for type 1 diabetes. Disponível em: www.fda.gov/NewsEvents/Newsroom/PressAnnouncements/ucm522974.htm  Acesso em 9 de Out de 2016.
JDRF. JDRF Celebrates FDA Approval of Artificial Pancreas System. Disponível em: www.jdrf.org/press-releases/jdrf-celebrates-fda-approval-of-artificial-pancreas-system/ Acesso em 9 de Out de 2016.
Medtronic. Medtronic Receives FDA Approval for World's First Hybrid Closed Loop System for People with Type 1 Diabetes. Disponível em: http://newsroom.medtronic.com/phoenix.zhtml?c=251324&p=irol-newsArticle&ID=2206594 Acesso em 9 de Out de 2016.
Tenho Diabetes Tipo 1, e Agora? Pâncreas Artificial ou Biônico. Disponível em: http://tenhodiabetestipo1eagora.blogspot.com.br/search/label/P%C3%A2ncreas%20artificial%20ou%20bi%C3%B4nico Acesso em 9 de Out de 2016.
Tilleskjor, Sara. BREAKING NEWS: FDA APPROVES THE MINIMED 670G SYSTEM, WORLD’S FIRST HYBRID CLOSED LOOP SYSTEM. Disponível em: www.medtronicdiabetes.com/blog/introducing-the-minimed-670g-system/ Acesso em 9 de Out de 2016.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Hemoglobina glicada prediz risco de diabetes em crianças e adolescentes...

O risco de diabetes tipo 2 pode ser previsto e a presença de pré-diabetes pode ser identificada pela dosagem da HbA1c com a mesma precisão do que com outros testes menos convenientes, confirmam pesquisadores dos Estados Unidos.
Examinando dados de um estudo de longo prazo em uma população indígena americana, a equipe descobriu que não havia diferença entre os exames de HbA1c, glicemia de jejum, e teste oral de tolerância a glicose de duas horas (TOTG) na identificação de crianças que desenvolveriam diabetes futuramente.
A pesquisa foi publicada na edição de janeiro do periódico Diabetes Care.
De acordo com a coautora Dra. Madhumita Sinha, do National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, National Institutes of Health, em Phoenix, Arizona, o grande benefício do exame de HbA1c é a conveniência.
Ela disse ao Medscape que, ao avaliar uma criança de 10 anos com sobrepeso ou obesidade, "a maioria dos pediatras faria uma glicemia de jejum". No entanto, observou ela, "na minha opinião, nenhuma criança está em jejum às 8 da manhã".
De forma crucial, a Dra. Madhumita acredita que, apesar de o estudo ter sido conduzido em uma população conhecida pelo alto risco de desenvolver diabetes, os resultados são generalizáveis para outros grupos.
Ela disse que, junto com o fato de que a população foi acompanhada por mais de 40 anos, houve a "vantagem" de que os pesquisadores conseguiram realizar todos os exames no mesmo laboratório.
"Esse é um conjunto de dados únicos", observou a Dra. Madhumita, "e como todos os exames laboratoriais foram feitos em nossas próprias instalações em Phoenix, é muito padronizado".
American Diabetes Association (ADA) recomenda que crianças e adolescentes assintomáticos sejam triados para diabetes tipo 2 se têm idade ≥ 10 anos, índice de massa corporal ≥ percentil 85 para idade e sexo, e no mínimo dois fatores de risco adicionais.
Os fatores de risco incluídos no estudo foram diabetes tipo 2 em um parente de primeiro ou segundo grau, grupos étnicos específicos e história materna de diabetes ou diabetes gestaciona.
Embora medir a HbA1c em crianças seja conveniente, pois não requer jejum e um único teste pode diagnosticar e monitorar o controle glicêmico, poucos estudos estudaram a associação entre a HbA1c na infância e o risco de desenvolver diabetes.
Assim, os pesquisadores mediram a HbA1c, glicemia de jejum e TOTG em um estudo longitudinal de residentes de uma comunidade indígena americana acompanhados de 1965 a 2007.
A análise atual incluiu 2095 crianças e adolescentes não-diabéticos com idades variando entre 10 a 19 anos, no momento do recrutamento, que foram monitorados até os 39 anos, e 2005 adultos com idades de 20 a 39 anos, que foram monitorados até os 59 anos.
Dentre as crianças e adolescentes, 18,8% tinham sobrepeso e 53,1% eram obesas, enquanto as taxas equivalentes para adultos eram de 19,1% e 73,8%, respectivamente.
A prevalência de pré-diabetes foi de 3,0% em crianças e adolescentes e de 8,4% em adultos, quando classificada por uma HbA1c ≥ 5,7%, em contraste com 9,2% em crianças e adolescentes e 21,1% em adultos, se fosse utilizado o critério de glicemia de jejum ≥ 100 mg/dL. A intolerância a glicose, determinada por um TOTG de duas horas ≥ 140 mg/dl, teve prevalência de 8,1% em crianças e 17,3% em adultos.
O tempo mediano para diagnóstico de diabetes ou o último exame antes do surgimento do diabetes foi de 5,2 anos nas crianças e adolescentes e de 4,6 anos nos adultos. Os padrões de incidência de diabetes foram semelhantes para crianças e adultos, embora as taxas tenham sido maiores em adultos.
Os pesquisadores observaram que crianças e adolescentes do sexo masculino que se encontravam no grupo de de HbA1c mais elevada (5,7% a 6,4%) no início do estudo, tinham uma incidência quatro vezes maior de diabetes durante o seguimento do que aqueles com a menor categoria de HbA1c HbA 1c (≤ 5,3%). Crianças e adolescentes do sexo feminino com a categoria mais elevada de HbA1c tiveram uma incidência sete vezes maior de diabetes do que aquelas na menor categoria.
Em meninos, meninas e homens, as áreas sob a curva característica (AUC) para HbA1c não foram significativamente diferentes daquelas para glicemia de jejum e TOTG. Em mulheres, a HbA1c teve uma AUC menor que o TOTG, de 0,63 versus 0,70 (P = 0,0012).
"A falta de uma diferença significativa na AUC entre a HbA1c e as medidas de glicemia sugere que todos os três exames têm o potencial de oferecer o mesmo nível de sensibilidade e especificidade, dependendo do limite escolhido", escrevem os autores.
No entanto, o motivo para "o pior desempenho da HbA1c em mulheres adultas é incerto", de acordo com os autores. Eles apontam que a deficiência de ferro tem sido demonstrada comumente em mulheres e está relacionada a maior HbA1c. Entretanto, essa teoria não pode ser explorada devido à falta de exames do ferro no estudo atual.
Entre crianças e adolescentes que cumpriam os critérios de triagem para diabetes da ADA, a incidência acumulada estimada em 10 anos para diabetes naqueles com HbA1c ≥ 5,7% foi de 78% versus 23% para aqueles com HbA1c < 5.7%, resultando em um valor preditivo positivo (VPP) de 78% e um valor preditivo negativo (VPN) de 77%.
Para a glicemia de jejum ≥ 100 mg/dL, o VPP foi de 36% e o VPN foi de 78%, enquanto o VPP e o VPN para o TOTG ≥ 140 mg/dL foram de 52% e 80%, respectivamente.
Os pesquisadores concluíram que a HbA1c "pode ser usada para avaliar o risco de diabetes em crianças ou identificar crianças com pré-diabetes com a mesma confiança que a glicemia de jejum ou o TOTG".
A Dra. Madhumita acrescentou que o próximo passo da equipe será avaliar a relação entre os níveis basais de HbA1c e o desenvolvimento de complicações do diabetes.
Essa pesquisa foi financiada pelo Intramural Research Program do National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. Os autores relataram não possuir conflitos de interesse relevantes.
Até mais.
Fonte:
Medscape.com
Diabetes Care. 2017;40:16-21. 

Dispositivo para coleta de sangue sem agulha e indolor está chegando ao mercado dos EUA...

Uma forma nova e praticamente indolor de colher sangue para exames laboratoriais tem o potencial de substituir as mais de 400 milhões coletas de sangue com agulhas realizadas todos os anos nos Estados Unidos.
O dispositivo Touch Activated Phlebotomy (Flebotomia Ativada pelo Toque), TAP, apresentado no Consumer Technology Association 2017 Digital Health Summit, poderia eliminar completamente a necessidade de torniquetes e agulhas.
"O processo de obtenção de amostras de sangue não mudou em décadas. Um profissional de saúde qualificado precisa introduzir uma agulha grossa no paciente, algo doloroso e de que os pacientes não gostam", disse ao Medscape Stuart Blitz, diretor de negócios da Seventh Sense Biosystems (7SBio), antes de subir ao palco para demonstrar o novo produto.
"Isso é algo desatualizado e um tanto quanto barbárico".
Com o TAP, um profissional de saúde coloca o dispositivo, que é do tamanho aproximado de uma bola de golfe, no braço do paciente e, em seguida, pressiona um botão, ativando 30 agulhas finas que penetram as camadas superficiais da pele. As micropunções resultantes não doem, de acordo com Mike Feibus, que é colunista de tecnologia para USA Today e Fortune, e se submeteu ao procedimento como voluntário durante a apresentação do produto.
O procedimento leva cerca de dois minutos para aspirar 100 μL de sangue dos capilares do paciente. "Este dispositivo funciona como uma sanguessuga, você realmente não sente nada", explicou Blitz.
O TAP resolve o problema de coletar sangue sem dor fazendo-o rapidamente ao perfurar a pele a uma taxa de 100.000 m/s².
"Eu já tive algumas experiências ruins, quando a enfermeira teve dificuldade para encontrar uma veia e errou algumas vezes", disse Scott Sameroff, diretor de desenvolvimento de negócios estratégicos da AccuWeather, que assistiu à demonstração.
Quando isso acontece, é doloroso e desagradável. Obviamente há um grande potencial para este dispositivo", disse ele ao Medscape.
Aprovação da FDA
Espera-se que o produto seja lançado nos próximos meses. A empresa já respondeu a questões da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA e forneceu dados clínicos.
"Estamos no estágio final de aprovação", informou Blitz.
Um dos estudos fornecidos à FDA comparou os níveis de dor com três tipos de métodos de coleta de sangue. Os dados mostraram que a pontuação de dor Wong-Baker para punção do dedo e punção venosa foi de 5, mas para o TAP foi de 2, indicando que ele é muito menos doloroso.
Outro estudo analisou as medidas de hemoglobina glicada (HbA1c) em sangue obtido com punção venosa ou TAP em 240 amostras de 22 profissionais de saúde participantes do estudo, incluindo enfermeiros, flebotomistas e assistentes médicos. Além disso, a coleta de amostras foi avaliada por 20 participantes, incluindo técnicos de laboratório e tecnólogos médicos.
"A FDA estava preocupada com as possíveis diferenças na qualidade. O sangue venoso não tem oxigênio porque ele sai através das veias; o sangue capilar tem oxigênio", explicou Blitz.
Para as medidas de HbA1c, a concordância entre a punção venosa e o TAP foi excelente, em 98,7%, ele destacou.
Coleta feita pelo próprio paciente é possível
Depois que a FDA aprovar o dispositivo TAP para o uso por profissionais treinados, a 7SBio planeja buscar aprovação para o uso pelos pacientes, o que poderia permitir a eles coletarem o próprio sangue em qualquer lugar.
A empresa também planeja aumentar as capacidades do TAP integrando um chip digital; isso poderia mudar dramaticamente a maneira como o sangue é coletado. Por exemplo, poderia registrar digitalmente quando uma amostra de sangue foi coletada, o que seria útil quando os pacientes em áreas remotas precisam enviar suas amostras para um laboratório.
O dispositivo também poderia ser usado por pessoas inscritas em ensaios clínicos que necessitam fornecer amostras de sangue. "Temos um protótipo inicial desenvolvido por meio do nosso trabalho com a Qualcomm. É um chip que podemos incluir, que envia um sinal por Bluetooth quando o dispositivo foi ativado", explicou Blitz ao Medscape.
Finalmente, a integração digital poderia associar o dispositivo TAP a plataformas de diagnóstico laboratorial que analisam amostras de sangue. No futuro próximo, explicou Blitz, os médicos provavelmente terão acesso a dispositivos móveis que podem fornecer resultados em questão de minutos.
A recente parceria entre a 7SBio e a LabCorp, um dos maiores laboratórios de exames do país, pode acelerar o desenvolvimento de tal tecnologia.
Atualmente, todos os laboratórios de exames nos Estados Unidos estão trabalhando em iniciativas para realizar exames com menos sangue; os grandes frascos de sangue atuais são mais do que o necessário. "Nossa solução na verdade se ajusta a isso", destacou Blitz.
Até mais.
Blitz é diretor de negócios da 7SBio. Sameroff é diretor de desenvolvimento estratégico de negócios da AccuWeather.
Consumer Technology Association (CES) 2017 Digital Health Summit. Apresentado em 6 de janeiro de 2017.
Fonte: Medscape.com

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