sábado, 28 de novembro de 2015

FDA aprova Insulinas Degludec e Ryzodeg...

Aprovou os EUA Food and Drug Administration (FDA) hoje dois medicamentos de longa duração de insulina da Novo Nordisk para melhorar o controle glicêmico em adultos com diabetes mellitus após ter os rejeitado em 2013 por falta de dados de resultados cardiovasculares.
As drogas, Tresiba e Ryzodeg 70/30contem insulina degludec, que possui uma meia-vida de 25 horas e atua para menos de 42 horas.
Insulina Degludec é o único ingrediente ativo no Tresiba. Pacientes injetam por via subcutânea uma vez por dia. Por causa da cobertura longa da droga, os pacientes não precisam utilizá-las ao mesmo tempo em cada dia como com outras insulinas basais, levando alguns a chamam de "Sunday-dormir-in insulina."
Ryzodeg 70/30 contém insulina aspart, um agente de ação rápida, bem como insulina degludec. Também é injetável. Ryzodeg é tomado uma vez ou duas vezes por dia com qualquer refeição principal, de acordo com uma nota de imprensa da Novo Nordisk.
Após a sua primeira derrota regulamentar há 2 anos, Novo Nordisk lançou um estudo cardiovascular para insulina degludec chamados dedicar e apresentado os resultados intercalares para a FDA, no início deste ano, quando reaplicado para aprovação. O fabricante espera que o julgamento se encerra no segundo semestre de 2016.
Em um comunicado à imprensa, a FDA citou estudos clínicos que mostram que tanto Tresiba e Ryzodeg 70/30 reduzia a hemoglobina A1c nos pacientes com tipo 1 e tipo 2 diabetes que tiveram controle glicêmico inadequado no início. As reduções se assemelhava aos alcançados por drogas previamente aprovados de longa duração de insulina.
Os efeitos adversos mais comuns relatados para as duas novas drogas foram hipoglicemia, reações alérgicas, reações no local da injeção, prurido, erupção cutânea, edema e ganho de peso. Os pacientes que têm aumentado as cetonas no sangue ou na urina, não devem tomar qualquer medicamento, de acordo com a FDA.
A reputação de Tresiba foi manchada no ano passado, quando o Instituto Alemão para a Qualidade e Eficiência em Saúde relatou nenhum benefício adicional da insulina degludec sobre insulinas existentes para pacientes adultos com diabetes tipo seja 1 ou tipo 2. Em julho, a Novo Nordisk anunciou que iria parar de distribuir Tresiba na Alemanha até o final de setembro porque não conseguiu negociar um preço satisfatório para a droga com a associação de caixas públicos de seguro de saúde do país.
Até mais.
Fonte: Medscape.com

Ministério da Saúde confirma relação do Zika vírus e Microcefalia...

O Ministério da Saúde confirma neste sábado (28) a relação entre o vírus Zika e o surto de microcefalia na região Nordeste. O Instituto Evandro Chagas, órgão do ministério em Belém (PA), encaminhou o resultado de exames realizados em um bebê, nascida no Ceará, com microcefalia e outras malformações congênitas. Em amostras de sangue e tecidos, foi identificada a presença do vírus Zika.

A partir desse achado do bebê que veio à óbito, o Ministério da Saúde considera confirmada a relação entre o vírus e a ocorrência de microcefalia. Essa é uma situação inédita na pesquisa científica mundial. As investigações sobre o tema devem continuar para esclarecer questões como a transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez.

O achado reforça o chamado do Ministério da Saúde para uma mobilização nacional para conter o mosquito transmissor, o Aedes aegypti, responsável pela disseminação da dengue, zika e chikungunya. O êxito dessa medida exige uma ação nacional, que envolve a União, os estados, os municípios e a toda a sociedade brasileira. O momento agora é de unir esforços para intensificar ainda mais as ações e mobilização.

A campanha lançada nesta semana alerta que o mosquito da dengue mata e, portanto, não pode nascer.  A ideia é que todos os dias sejam utilizados para uma limpeza e verificação de focos que possam ser criadouros do mosquito. O resultado do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) indica 199 municípios brasileiros em situação de risco de surto de dengue, chikungunya e zika, sendo necessária uma mobilização, de todos, imediata.

ÓBITOS

O Ministério da Saúde também foi notificado, na sexta-feira (27), pelo Instituto Evandro Chagas sobre outros dois óbitos relacionados ao vírus Zika. As análises indicam que esse agente pode ter contribuído para agravamento dos casos e óbitos. Esta é a primeira ligação de morte relacionada ao vírus Zika no mundo, o que demostra uma semelhança com a dengue. 

O primeiro caso foi confirmado pelo Instituto Evandro Chagas, de Belém (BA), trata-se de um homem com histórico de lúpus e de uso crônico de medicamentos corticoides, morador de São Luís, do Maranhão. Com suspeita de  dengue, foi realizada coleta de amostra de sangue e fragmentos de vísceras (cérebro, fígado, baço, rim, pulmão e coração) e enviadas ao IEC. O exame laboratorial apresentou resultado negativo para dengue. Com a técnica RT-PCR, foi detectado o genoma do vírus Zika no sangue e vísceras.

Confirmado na sexta-feira (27), o segundo caso é de uma menina de 16 anos, do município de Benevides, no Pará, que veio a óbito no final de outubro. Com suspeita inicial de dengue, notificada em 6 de outubro, ela apresentou dor de cabeça, náuseas e petéquias (pontos vermelhos na pele e mucosas). A coleta de sangue foi realizada sete dias após o início dos sintomas, em 29 de setembro. O teste foi positivo para Zika, confirmado e repetido.

Todos os achados estão sendo divulgados conforme são conhecidos. O objetivo é dar transparência sobre a situação atual, assim como emitir orientações para população e para a rede pública. Esse é um achado importante e merece atenção. O Ministério da Saúde está se aprofundando na análise dos casos, além de acompanhar outras análises que vem sendo conduzidas pelos seus órgãos de pesquisa e análise laboratorial. O protocolo inicial para o atendimento de possível agravamento da Zika será o mesmo utilizado para situações mais graves de dengue.

Investigações em curso

O Ministério da Saúde mantém as investigações sobre a ocorrência de microcefalia em bebês, assim como a avaliação de casos graves em adultos, a manifestação clínica e a disseminação da doença. Nesta semana, a convite de governo federal, representantes do CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças, em inglês), dos Estados Unidos, integrarão os esforços das autoridades e parceiros nacionais nestas análises. O CDC é referência para a Organização Mundial de Saúde (OMS) em doenças transmissíveis.

A OMS e a sua representação nas Américas, a OPAS, têm sido atualizadas sobre o andamento das ações, dos resultados e das conclusões do Ministério da Saúde.

Atividades

O Ministério da Saúde intensificou o acompanhamento da situação, de forma prioritária, e divulgará orientações para rede pública e para a população, conforme os resultados das investigações.   Além disso, mantém contato com as secretarias estaduais e municipais para articular uma resposta conjunta e, em especial, a mobilizar ações contra o mosquito Aedes aegypti.

O Ministério da Saúde informa, ainda, que a Presidência da República determinou a convocação do GEI (Grupo Executivo Interministerial), que envolve 17 ministérios, para a formulação de plano nacional do combate ao vetor transmissor, o mosquito Aedes Aegypti.  Também estão sendo estimuladas pesquisas para o diagnóstico da doença e frentes de mobilização em regiões mais críticas. Não faltarão recursos financeiros para suporte às ações.

As medidas envolvem, finalmente, ações de comunicação e suporte assistencial, como pré-natal, atenção psicossocial, fisioterapia, exames de suporte e estímulo precoce dos bebês.

Até mais.
Fonte: Ministério da Saúde.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Dengue, Chikungunya e Zika vírus...


Foram identificados 1,5 milhão de casos de dengue no país de janeiro até 14 de novembro, um aumento de 176% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 555,4 mil casos.
Nesse período, a região Sudeste apresentou 63,6% do total de casos (975.505), seguida das regiões Nordeste (278.945 casos), Centro-Oeste (198.555 casos), Sul (51.784 casos) e Norte (30.143 casos). 
Segundo o Ministério da Saúde, 199 municípios brasileiros estão em situação de risco de surto de dengue, chikungunya e zika. Outros 665 municípios estão em situação de alerta (quando 1% a 3,9% dos imóveis têm focos do mosquito) e 928 em situação satisfatória (menos de 1% dos imóveis com focos).
A dengue, chikungunya e o zika vírus têm em comum o transmissor: o mosquito Aedes aegypti.
O Estado de Goiás registrou a maior incidência de dengue, com 2.314 casos por 100 mil habitantes, seguido por São Paulo, com 1.615 casos por 100 mil habitantes, e Pernambuco, com incidência de 901 casos por 100 mil habitantes. O número de mortes aumentou 79%, passando de 453 mortes, em 2014, para 811, em 2015.
Rio Branco (AC) é a única capital em risco de surto de dengue. Outras sete capitais estão em alerta: Aracaju (SE), Recife (PE), São Luís (MA), Rio de Janeiro (RJ), Cuiabá (MT), Belém (PA) e Porto Velho (RO).
Dez capitais estão com índices satisfatórios: Boa Vista (RR), Palmas (TO), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Teresina (PI), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Brasília (DF), Campo Grande (MS) e Curitiba (PR).
As cidades de Macapá (AP), Manaus (AM), Maceió (AL), Natal (RN), Salvador (BA), Vitória (ES), Goiânia (GO), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) não encaminharam resultados.

Chikungunya e zika

No Brasil, também foram registrados em 2015, até 14 de novembro, 17.146 casos suspeitos de chikungunya, sendo 6.726 confirmados. O levantamento identificou a presença do mosquito Aedes albopictus, que pode também transmitir a chikungunya, em 262 municípios.
Em relação ao zika, até esta terça-feira (24), 18 Estados tiveram confirmação laboratorial do vírus.
Há casos de zika em Roraima, Pará, Amazônia, Roraima, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso e Paraná.
Os dados são do LIRAa 2015 (Levantamento Rápido do índice de Infestação pela Aedes Aegypti), feito entre outubro e novembro em 1.792 cidades nas 18 capitais, com o objetivo de orientar as ações de controle de dengue.

Microcefalia

Já são 739 casos suspeitos de bebês com microcefalia até 21 de novembro de 2015. Os casos foram identificados em 160 municípios de nove Estados, a maioria no nordeste e um no Estado de Goiás, que podem estar ligados a infecção por zika. 
O Estado de Pernambuco mantém-se com o maior número de casos suspeitos de microcefalia, 487. Em seguida, estão os Estados da Paraíba (96), Sergipe (54), Rio Grande do Norte (47), Piauí (27), Alagoas (10), Ceará (9), Bahia (8) e Goiás (1). Entre todos esses casos, foi notificado um óbito suspeito no Rio Grande do Norte. Este caso está em investigação.

Situação dramática e grave

A situação é considerada 'dramática' e 'grave' pelo ministro da Saúde, Marcelo Castro, e por Claudio Maierovitch, diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde.
"É preciso compreensão, e um drama humano que estamos vivendo", afirmou Castro durante o anúncio do balanço de casos em Brasília (DF), nesta terça-feira (24).
Segundo Maierovitch, a situação do Brasil é inédita no mundo porque o vírus nunca tinha circulado em um país como o nosso.
"Nunca tivemos a circulação do vírus zika em um país populoso como o Brasil. É uma situação inédita, com manifestação grave. Em menos de 1 mês, foi identificada e rastreada a possível origem", afirmou Maierovitch.
O ministro da Saúde informou que o governo vai usar mais as tecnologias para evitar a proliferação do mosquito, entre as quais o uso de mosquitos transgênicos que carregarão bactérias que os deixarão estéreis.
Até mais.
Fonte: UOL

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Problemas reprodutivos em mulheres com síndrome de Turner...

A síndrome de Turner é uma das anormalidades cromossômicas mais comuns que afetam crianças do sexo feminino. A gravidade das manifestações clínicas varia e afeta múltiplos sistemas orgânicos. As mulheres com síndrome de Turner tem um aumento de 3 vezes na mortalidade, o que se torna ainda mais frequente na gravidez. Opções reprodutivas incluem adoção ou sub-rogação, técnicas de reprodução assistida, e em raros casos a gravidez espontânea. 
Riscos para as mulheres com síndrome de Turner durante a gravidez incluem doenças da aorta, doença hepática, doença da tiróide, diabetes tipo 2 e parto por cesariana. 
Médicos devem estar familiarizados com os riscos e recomendações em cuidar de mulheres com síndrome de Turner em idade reprodutiva.

Até mais.

Fonte: Folsom, LJ; Fuqua, JS Reproductive Issues in Women with Turner Syndrome.ENDOCRINOLOGY AND METABOLISM CLINICS OF NORTH AMERICAPáginas 723 - 37 VOL. 44 (4) 01/12/2015

domingo, 22 de novembro de 2015

Diagnóstico diferencial entre TSH-oma e SRHT...

A tabela abaixo pode ajudar no diagnostico diferencial de tumores hipofisários produtores de TSH (TSH-oma) e da Síndrome de resistência ao Hormônio tireoidiano (SRHT):

                                                                TSH-oma                   SRHT

História familiar                                        negativo                     positivo
SHBG                                                       aumentada                 normal
Subunidade alfa                                        aumentada                 normal
Subunidade alfa/TSH                                 aumentada                 normal
Supressão TSH após T3                             negativa*                   positiva
Resposta TSH ao TRH                                negativa                     positiva
Resposta TSH ao análogo
de somatostatina                                      positivo                     negativo
Presença de TU hipofisário                         positivo                     negativo

*resposta pode ser parcial ou totalmente positiva

Até mais.

Fonte:Duarte FHG, Jallad RS, Salgado LR, Bronstein MD, TSH-secreting pituitary tumors: two case reports and literature reviewArq Bras Endocrinol Metab vol 48 nº 1 Fevereiro 2004

sábado, 21 de novembro de 2015

Auto-teste para HIV...


Mais uma arma no combate ao HIV. É o que possibilita a nova RDC da Anvisa, aprovada nesta sexta (20), que permite o registro no Brasil de testes rápidos (autotestes) para a triagem do vírus HIV e que poderão ser utilizados por usuários leigos. O país passa a ser um dos poucos do mundo a adotar esta estratégia, buscando ampliar o acesso ao diagnóstico, o que configura-se em mais um instrumento para auxiliar no controle da infecção no Brasil.
A Anvisa atendeu ao Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, que solicitou o apoio da agência para regulamentar a comercialização de testes rápidos de HIV em farmácias, drogarias, postos de medicamentos, serviços de saúde e programas de saúde pública.
O novo regulamento técnico tem como um de seus objetivos o impacto na redução da transmissão do vírus e na queda do surgimento de novos casos.
A RDC estabelece que os produtos deverão conter informações claras que indiquem seu uso seguro e eficaz, incluindo ilustrações como fotografias, desenhos ou diagramas sobre a obtenção da amostra, execução do teste e leitura do resultado.
A norma também responsabiliza os produtores no esclarecimento quanto à janela imunológica humana, que é o intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus e a produção de anticorpos no sangue, bem como orientações de conduta do indivíduo após a realização do teste.
Ao aprovar este regulamento, a Anvisa considerou também a agilidade da resposta ao indivíduo e a relação risco-benefício da testagem.  Vale ressaltar que trata-se de um método para triagem: o resultado obtido no teste, seja positivo ou negativo, deverá ser confirmado por um serviço de saúde especializado e em testes laboratoriais.
Outro ponto importante a se destacar é que o teste rápido não poderá ser utilizado, de forma alguma, na seleção de doadores em serviços de coleta de sangue.
Para consolidar a RDC, a Anvisa estabeleceu, para os produtores, algumas prioridades, como a disponibilização de um canal de comunicação telefônico de suporte ao usuário 24 horas, durante os sete dias da semana, e uma embalagem contendo indicação do serviço Disque Saúde do Ministério da Saúde (136).
Qualidade de vida
Estimativas do Ministério da Saúde apontam que cerca de 143 mil brasileiros desconhecem ser portadores do HIV.  Por conta disso, o governo brasileiro tem desenvolvido diversas estratégias para controlar a transmissão do vírus, estabelecendo políticas públicas que reforçam a ampliação do conhecimento das pessoas quanto à infecção pelo HIV e estimulando o acesso ao diagnóstico.
O conhecimento do estado de saúde permite melhorar a qualidade de vida das pessoas diagnosticadas e reduzir a probabilidade de transmissão do vírus, auxiliando no controle da infecção pelo HIV.
Até mais.
Fonte: Anvisa.

Microcefalia e Zika vírus...

Pesquisadores vão infectar com o zika vírus fêmeas de camundongos prenhas para investigar se o vírus tem mesmo relação com o desenvolvimento da microcefalia, como suspeita o Ministério da Saúde. O estudo está sendo desenvolvido pela Fiocruz e deve ser realizado no início do próximo ano em Pernambuco, onde 268 casos de microcefalia já foram notificados neste ano. Será a primeira vez que animais serão expostos ao vírus no Brasil.
“Vamos inocular as fêmeas de camundongos prenhas com o zika vírus, imitando o que se pensa que está acontecendo com essas mães que tiveram bebês microcefálicos. Vamos acompanhar esse e outro grupo de fêmeas não infectadas para observar as taxas de microcefalia e outras mutações congênitas”, revelou o pesquisador Lindomar Pena, explicando que o estudo pode trazer um indício para esta relação caso o grupo infectado apresente uma taxa maior de mutações.
Pena contou que já investiga, com mais 14 pesquisadores pernambucanos, a melhor forma de diagnosticar o zika nos animais. Depois disso, será feita a inoculação. “Temos pouquíssima informação sobre o zika. Então, é tudo muito novo neste experimento”, explica, lembrando que o zika só foi descoberto em 1947.
Depois disso, ele só teria sido inserido em animais com fins de estudo na década de 1970, nos Estados Unidos. “Foram feitos experimentos intracerebrais e observaram que o zika causa doença neurológica. Mas são estudos antigos. Vamos repeti-los porque, desde então, o vírus já mudou muito”, diz, lembrando que a ênfase na microcefalia também não fez parte do estudo norte-americano.
Os pernambucanos ainda vão inovar na forma de inserção do zika nos animais, imitando a infecção humana. “Na década de 1970, ele foi inserido no cérebro, que é uma via artificial, porque quando o mosquito pica a pessoa, ele não pica o cérebro. Nós vamos mimetizar a infecção natural, que é a via subcutânea”, revela.
Humanos

Além de trabalhar com camundongos, os pesquisadores da Fiocruz de Pernambuco desenvolveram duas frentes de estudo sobre a relação entre o zika e a microcefalia com humanos. Eles vão investigar a gestação dos bebês recentemente nascidos com a má-formação e acompanhar a gravidez de mulheres que foram infectadas por doenças infecciosas como o zika. A Fiocruz ainda tenta desenvolver vacinas e meios de diagnóstico mais rápidos contra o zika virús.

“Com essas três frentes, conseguiremos um estudo probatório muito forte, comprovando ou refutando essa hipótese de que o zika esteja relacionado com a microcefalia. Estamos somando evidências, fazendo o procedimento padrão da descoberta da relação causa-efeito das doenças infecciosas”, explica o pesquisador Lindomar Pena, afirmando que a etiologia do HIV, ou seja, o estudo que determina as causas do HIV, seguiu o mesmo processo.
O pesquisador conta que, para a realização desses estudos, também serão formados grupos de mães e de bebês. O primeiro vai comparar a gestação de mulheres que tiveram bebês microcefálicos e a das que tiveram filhos sem má-formações. O sangue delas será coletado para que seja investigada a incidência do zika vírus. Caso as mães e os médicos autorizem, os pesquisadores também pretendem colher e analisar o líquido cefalorraquidiano (LCR) dos recém-nascidos, que é retirado da medula óssea.
Na outra frente de estudo, mulheres grávidas que tiveram sintomas de doenças virais, como manchas vermelhas na pele, serão acompanhadas até o parto. A intenção é observar a taxa de microcefalia entre as que tiveram o zika vírus e as que não tiveram. Caso elas permitam, os pesquisadores também vão colher e analisar líquido amniótico.
Até mais.
Fonte: G1.com

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