sexta-feira, 3 de março de 2017

Novas diretrizes abrangem o uso de hormônio do crescimento (GH) e IGF-1 em crianças e adolescentes...

Pediatric Endocrine Society publicou novas diretrizes para o tratamento de crianças e adolescentes com déficit de crescimento devido à deficiência de hormônio do crescimento (GH), baixa estatura idiopática (BEI) ou deficiência primária de IGF-1 (insulinlike growth factor 1 ou somatomedina C).
O documento, publicado na edição de janeiro da revista Hormone Research in Pediatrics, atualiza as recomendações emitidas pela sociedade em 2003 e, pela primeira vez, fornece informações sobre o uso de terapia com IGF-1 recombinante, assim como sobre o tratamento com GH.
Embora a terapia com hormônio do crescimento esteja evoluindo, ainda existem lacunas de conhecimento importantes; "Não sabemos o desfecho em longo prazo na estatura adulta," escrevem a autora principal Dra. Adda Grimberg, endocrinologista pediátrica no Children's Hospital of Philadelphia, Pensilvânia, e colegas.
Eles observam que grande parte do tratamento para baixa estatura baseia-se na "suposição de que uma maior estatura levará a uma melhor qualidade de vida", então é preciso validar medidas de qualidade de vida adequadas. Também são necessários dados de longo prazo confiáveis, de adultos que foram tratados por baixa estatura na infância, afirmam.
Além disso, hospitais e médicos devem adotar ensaios padronizados universais de IGF-1 e hormônio do crescimento, observam eles.
"Dadas as questões não respondidas, as diferenças sutis e o status dinâmico do assunto, recomendamos que apenas os endocrinologistas pediátricos gerenciem a avaliação e o tratamento dessas condições", resumem.
Ao mesmo tempo, "reiteramos a importância do tratamento individualizado dos pacientes".
"Administrar o tratamento de hormônio do crescimento pode ajudar crianças de baixíssima estatura a ganharem alguns centímetros, mas também as expõe a um poderoso hormônio, quando não sabemos completamente as implicações em longo prazo", advertiu o coautor Dr. Chris Feudtner, pediatra e diretor do departamento de Ética Médica do Children's Hospital of Philadelphia, emum comunicado emitido pela instituição.

Benefícios do tratamento superam danos na deficiência grave de GH

Em 1985, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA aprovou o uso de hormônio do crescimento humano recombinante para tratar pacientes pediátricos com déficit de crescimento devido à produção inadequada de hormônio do crescimento endógeno, observam a Dra. Adda e colegas.
Em 2003 a FDA expandiu a indicação para incluir o tratamento da baixa estatura idiopática, definida como uma altura de 2,25 desvios-padrão abaixo da média, o que corresponde a ser menor do que 160 cm para um adulto do sexo masculino e a ter menos de 150 cm para um do sexo feminino.
Em 2005, a FDA aprovou o IGF-1 para o tratamento de longo prazo do déficit de crescimento em pacientes pediátricos com deficiência primária grave de IGF-1 (níveis de IGF-1 e estatura abaixo de 3 desvios-padrão), mas não para deficiência de IGF-1 secundária à deficiência de GH, desnutrição, hipotireoidismo, ou outras causas.
Assim, nesta nova abordagem, e em nome do Drug and Therapeutics Committee e do Ethics Committee of the Pediatric Endocrine Society, os autores da diretriz avaliaram as evidências e desenvolveram recomendações usando o sistema GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation).
"Crianças com deficiência grave de hormônio do crescimento se beneficiam tanto do tratamento com hormônio de crescimento, que os benefícios marcadamente superam qualquer potencial dano", escrevem eles.

Para baixa estatura idiopática sem deficiência de GH, tratamento é questão de opinião

No entanto, para as crianças com baixa estatura idiopática que não têm deficiência do hormônio de crescimento, os benefícios de atingir uma estatura maior por meio do tratamento com hormônio de crescimento são "incertos e de menor magnitude".
Além disso, o alto custo da terapia com GH (de US$14.000 a US$21.000 por cada centímetro ganho) "é difícil de justificar àqueles para quem não está claro se o tratamento tem benefícios", afirmam a Dra. Adda e colegas.
Os autores oferecem, portanto, uma recomendação condicional, aconselhando contra o uso rotineiro do hormônio de crescimento como tratamento para baixa estatura idiopática. Em vez disso, eles recomendam que os pais e os médicos adotem uma abordagem de tomada de decisão compartilhada, pesando as cargas físicas e psicológicas para a criança, juntamente com uma discussão de riscos e benefícios.
"O tratamento com GH para pacientes com deficiência de hormônio do crescimento oferece benefícios para a saúde que vão além da estatura. Mas tratar baixa estatura idiopática com terapia hormonal se resume à questão da altura", observa a Dra. Adda no comunicado divulgado pelo hospital.
Além disso, "ao contrário dos pacientes com deficiência de hormônio de crescimento, nem todos os pacientes com baixa estatura idiopática aumentam de estatura em resposta ao tratamento com o hormônio de crescimento, então a opção por tratar a baixa estatura idiopática é mais uma questão de opinião ".
Alguns pais de crianças com baixa estatura, mas que não se enquadram na definição da FDA para baixa estatura idiopática têm procurado tratamento com GH para os filhos, muitas vezes pagando com recursos próprios, uma vez que, frequentemente, esses casos não são cobertos por seguro.
E há um viés de gênero em questão aqui –como relatado anteriormente –, Dra. Adda e colegas determinaram em um estudo recente que meninos com baixa estatura eram três vezes mais propensos do que meninas a serem tratados com hormônio de crescimento para baixa estatura idiopática.
Dra. Adda recebeu honorários da Scherer Clinical Communications para uma palestra em um curso apoiado por uma bolsa da Novo Nordisk e se juntou ao comitê diretivo do banco de dados da Pfizer International Growth Study (KIGS) depois que as diretrizes foram escritas e submetidas para revisão. Os conflitos de interesse dos coautores estão listados no artigo.
Até mais.
Fonte: Medscape.com.br
Horm Res Paediatr. 2016;86:361–397. Artigo

Ministério da Saúde amplia vacinação em todas as faixas etárias...


Os postos de saúde de todo o país já estão com o novo calendário de vacinação para 2017. Neste ano, foi ampliado o público-alvo de seis vacinas: tríplice viral, tetra viral, dTpa adulto, HPV, Meningocócica C e  hepatite A. A medida foi possível devido à economia de R$ 66,5 milhões, obtida pelo Ministério da Saúde, a partir da negociação e redução de até 11% no valor da dose de três vacinas: Hepatite A, HPV e dTpa. A eficiência de gestão garantiu a ampliação da cobertura vacinal e a aquisição de mais de 11,5 milhões de doses da vacina de febre amarela. 



“O Ministério da Saúde investe anualmente R$ 3,9 bilhões na compra de 300 milhões de doses de vacinas para proteger contra 20 tipos de diferentes de doenças. Estamos conseguindo negociar com os fornecedeores, inclusive os laboratórios públicos, vacinas por um menor. Só em três vacinas, economizamos R$ 66,5 milhões, e com isso, conseguimos ampliar a vacinação para diversos grupos, como por exemplo, a vacina HPV para meninos. Assim, vamos alcançar maior cobertura vacinal e mais segurança de saúde para a população”, afirmou o ministro da Saúde, Ricrado Barros. 

A coordenadora do Programa Nacional de imunização (PNI), Carla Domingues, alertou para a necessidade da população ficar atenta às vacinas que estão disponíveis durante todo o ano nos postos de saúde. “Não adianta termos todas as vacinas preconizadas pelo Organização Mundial de Saúde (OMS) disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), se a população não se conscientizar da necessidade de manter a caderneta de vacinação atualizada”, destacou Carla Domingues.  Para ela, “é preciso que a população brasileira passe a considerar a vacinação como uma ação de familía, não restrita apenas aos cuidados com as crianças. Adolescentes e adulto também precisam manter esse documento de vacinação atualizada e em dia”, ressaltou. 

HEPATITE A – A vacina hepatite A passa a ser disponibilizada para crianças até 5 anos de idade. Antes, a idade máxima era até 2 anos. Essa vacina é altamente eficaz, com taxas de soroconversão de 94% a 100%. Em países que adotaram o esquema de vacinação com uma dose, houve controle da incidência da doença, principalmente em creches e instituições semelhantes, proporcionando proteção de rebanho para a população geral. Além disso, estudos também têm demonstrado que, em cerca de 95% dos vacinados, há produção de anticorpos em níveis protetores, quatro semanas após a vacinação com uma dose.

TETRA VIRAL (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) – Em 2017, para as crianças, há ampliação da oferta da vacina tetra viral, passando a ser administrada de 15 meses até quatro anos de idade. Antes era administrada na faixa etária de 15 meses a menor de dois anos de idade. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) recomenda a vacinação das crianças com a tríplice viral (sarampo, Caxumba e rubéola) aos 12 meses de idade (primeira dose) e aos 15 meses com a tetra viral (segunda dose com a varicela). Vale reforçar que em países que adotaram esquema de uma dose contra varicela (semelhante ao do Brasil) houve queda acentuada do número total de casos da doença, de hospitalizações e de óbitos a ela relacionados. 

HPV – Também será ofertada, a partir de 2017, a vacina HPV para meninos. Desde 2014, a vacina é oferecida para meninas de 9 a 13 anos. Agora, o público-alvo incluirá também meninas de 14 anos. Ainda para este ano, além dos meninos, a vacina também será oferecida para homens vivendo com HIV e aids entre 9 e 26 anos de idade, e para imunodeprimidos, como transplantados e pacientes oncológicos. Desde 2015, as mulheres (9 e 26 anos) que vivem com HIV/Aids recebem a vacina. 

MENINGOCÓCICA C – O Ministério da Saúde também passou a disponibilizar a vacina meningocócica C (conjugada) para adolescentes de 12 a 13 anos. A faixa-etária será ampliada, gradativamente, até 2020, quando serão incluídos crianças e adolescentes com 9 anos até 13 anos.A meta é vacinar 80% do público-alvo, formado por 7,2 milhões de adolescentes. Além de proporcionar proteção aos adolescentes, a ampliação alcançará o efeito protetor da imunidade de rebanho; ou seja, a proteção indireta das pessoas não vacinadas. O esquema vacinal para esse público será de um reforço ou uma dose única, conforme a situação vacinal. 

dTpa ADULTO – Avacina adsorvida difteria, tétano e pertussis (acelular) tipo adulto passa a ser  recomendada para as gestantes a partir da 20ª semana de gestação. As mulheres que perderam a oportunidade de serem vacinadas durante a gestação, devem receber uma dose de dTpa no puerpério, o mais precoce possível. Com essa medida, o Ministério da Saúde busca garantir que os bebês possam nascer protegidos contra a coqueluche, por conta dos anticorpos que são transferidos da mãe para o feto, evitando que eles contraiam a doença até que completem o esquema de vacinação com a vacina penta, o que só ocorre aos seis meses de idade. 

Apesar da vacina dTpa poder ser aplicada no puerpério, é importante ressaltar que esta estratégia só deve ser realizada como última opção, pois ao se vacinar uma gestante após o parto, não haverá transferência de anticorpos para o feto, consequentemente, há diminuição da possibilidade de proteção das crianças contra a coqueluche nos primeiros meses de vida. 

TRIPLICE VIRAL (sarampo, caxumba e rubéola) - Outra alteração se deu para a vacina tríplice viral, com a introdução da segunda dose para a população de 20 a 29 anos de idade. Anteriormente, a segunda dose era administrada até os 19 anos de idade. Com esta mudança, busca-se a correção da falha vacinal neste grupo e também considera a situação epidemiológica da caxumba nos últimos anos, cujos surtos têm acometido, principalmente, adolescentes e adultos jovens nesta faixa etária. A adoção do esquema de duas doses para esse grupo contribuirá na redução de casos da doença. Deste modo, duas doses contra sarampo, caxumba e rubéola passam a ser disponibilizadas para pessoas de 12 meses até 29 anos de idade. Para os adultos de 30 a 49 anos permanece a indicação de apenas uma dose de tríplice viral.

VACINAS – Atualmente são ofertadas gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) 19 vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), beneficiando todas as faixas etárias. Por ano, são disponibilizados pela rede pública de saúde de todo o país, cerca de 300 milhões de doses de imunobiológicos para combater mais de 20 doenças. 

Em 2016, o investimento do Ministério da Saúde na oferta de vacinas foi de R$ 3,9 bilhões um crescimento de 225% na comparação com o ano de 2010, quando foi investido R$ 1,2 bilhão. Para 2017 está previsto um investimento de R$ 3,9 bilhões.


Até mais.

Fonte: Ministério da Saúde.

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