sexta-feira, 22 de março de 2013

Atualização do algoritmo de tratamento do diabetes mellitus tipo 2: guideline da American Diabetes Association (ADA) e Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD)...



Em 2012, a American Diabetes Association (ADA), juntamente com a Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), atualizaram o seu algoritmo de tratamento do diabetes tipo 2 (originalmente lançado em 2009), que recomenda uma organização do tratamento da doença. Um algoritmo é um conjunto de passos a serem seguidos para se alcançar um fim desejado, neste caso, o objetivo é manter os níveis de glicose no sangue dentro da normalidade.
O algoritmo recomenda começar o tratamento no momento do diagnóstico com as mudanças de estilo de vida (em geral incluindo uma dieta equilibrada e atividades físicas regulares). Em seguida usa-se metformina, adicionando-se outras medicações redutoras da glicemia, conforme necessário. A eficácia de qualquer tratamento para o diabetes é medida, em parte, por um exame de sangue conhecido como hemoglobina glicosilada ou HbA1c, que indica o nível médio de glicemia ao longo dos 2 ou 3 meses anteriores. O nível de HbA1c de pessoas sem diabetes tende a situar-se entre 4% e 6% e o alvo para a maioria das pessoas diabéticas é um resultado de teste inferior a 7%.
O algoritmo atualizado recomenda que se uma pessoa recém-diagnosticada com diabetes tipo 2 não alcançar o nível de HbA1c adequado depois de três meses das mudanças no estilo de vida e do uso da metformina, o seu médico deve adicionar uma outra medicação no tratamento, que pode ser qualquer uma das sulfonilureias, tiazolidinedionas, agonistas do receptor GLP-1, inibidores de DPP-4 ou uma classe de insulina basal. Se uma combinação de dois medicamentos não permitir o alcance de um nível adequado de HbA1c em cerca de três meses, acrescenta-se outra medicação das classes listadas acima. E se a terapia de combinação que inclui a insulina basal não resultar na obtenção de um nível de HbA1c adequado, iniciam-se múltiplas doses diárias de insulina de ação curta ou rápida antes das refeições.
Outros fármacos que não estão incluídos no algoritmo, mas que podem beneficiar certos indivíduos, incluem meglitinidas, inibidores da alfa-glicosidase, colesevelam, bromocriptina e pramlintide.

Até mais.

NEWS.MED.BR, 2013. Atualização do algoritmo de tratamento do diabetes mellitus tipo 2: guideline da American Diabetes Association (ADA) e Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD). Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2013.

Abuso de álcool por jovens faz médicos mirarem publicidades...


A publicitária Cyntia Schiavon, 39, ficou em desespero quando recebeu um telefonema informando que a filha de 16 anos estava passando "muito mal" em uma festa, regada a bebida alcoólica.
"Ela tinha 13 anos na época e jamais havia bebido vodca nem tinha recebido incentivo em casa para beber. Quando cheguei ao local, ela estava desmaiada e tive de carregá-la no colo até o carro. Minha filha ficou horas no hospital para se reabilitar."
Casos como o da jovem estão colocando médicos em alerta. Levantamento feito no HU (Hospital Universitário) da USP indica que, de 2002 a 2012, adolescentes e jovens de 13 a 22 anos compuseram a faixa etária que mais procuraram atendimento em decorrência de intoxicação aguda por ingestão de álcool: foram 35% dos 1.370 atendimentos.
O estudo, divulgado nesta semana, revela ainda que o pico da procura de auxílio médico por causa de bebedeira se dá entre os 19 e 20 anos e que, após os 25 anos, os índices começam a cair.
"O contato com bebidas alcoólicas tem sido cada vez mais precoce. Há pesquisas indicando que a cada cinco anos aumenta-se a dosagem que eles ingerem e diminui a idade do uso", afirma o médico pediatra João Paulo Becker Lotufo, coordenador do levantamento no HU.
PROPAGANDA
Hoje, durante o 13º Congresso Paulista de Pediatria, em São Paulo, a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) vai aderir a uma campanha, que envolve uma petição pública, que defende mais restrições nas campanhas publicitárias de bebidas alcoólicas.
"No Brasil, ainda não temos estudos claros sobre a relação entre a publicidade e o consumo de bebidas. Mas artigo recente da [revista] 'Pediatrics ', dos EUA, divulgou pesquisa que acompanhou a rotina de estudantes adolescentes. Os dados mostraram relação íntima entre o que eles consumiam e o que viam em propagandas, sobretudo de cerveja", afirma Eduardo Vaz, presidente da SBP.
Segundo os médicos, o cérebro dos adolescentes ainda está em formação e o efeito do álcool neles pode ser pior do que em adultos.
"Cada pileque representa lesão em neurônios em grandes quantidades. Isso vai ocasionar problemas de memória e dificuldade no aprendizado. Quanto mais jovem se bebe, maior o risco de dependência", declara Lotufo.
A menina de 16 anos do início do texto não foi reprimida por ter ficado bêbada, mas não quis mais ter contato com álcool. "O diálogo sobre bebida entre nós aumentou naturalmente, não a envergonhei pela bebedeira. Não dá para afastar os filhos do debate. As famílias têm de ter responsabilidade", diz a mãe.
Atualmente, a lei proíbe a comercialização de bebida alcoólica para menores de 18 anos e obriga que haja alerta dos riscos de beber e dirigir.
Hoje, há restrição à veiculação de propaganda de bebidas na TV. Publicidade de cachaça e uísque (mais de 13 graus GL, unidade que mede volume de álcool) não pode ser veiculada das 6h às 21h.
Médicos e entidades civis, encabeçados pelo Ministério Público, querem restrição também para a cerveja.
Até mais.
Fonte: SBP

quarta-feira, 20 de março de 2013

Cientistas criam dispositivo subcutâneo que monitora sangue...


Cientistas na Suíça desenvolveram um dispositivo minúsculo e subcutâneo que faz exames de sangue e envia os resultados imediatamente via celular.

A equipe, da Escola Politécnica Federal de Lausanne, afirma que o protótipo de apenas 14 milímetros pode ser usado para detectar cinco substâncias diferentes no sangue.

Os resultados podem, então, ser enviados para o médico por meio da tecnologia bluetooth.

O dispositivo minúsculo poderá ser inserido no paciente com uma seringa, logo abaixo da pele de locais do corpo como abdome, pernas ou braços. Os cientistas dizem que é possível manter o mecanismo no local por meses e só depois é necessário removê-lo ou substitui-lo.

Segundo os inventores do protótipo, o dispositivo estará disponível para o público dentro de quatro anos.

Colesterol e diabetes

Outros pesquisadores já vinham trabalhando em implantes subcutâneos parecidos, mas o professor Giovanni de Micheli e o cientista que liderou a pesquisa, Sandro Carrara, afirmam que o exame de sangue criado na Suíça é pioneiro porque pode analisar muitos problemas diferentes ao mesmo tempo.

Carrara e De Micheli afirmam que o dispositivo será muito útil para monitorar problemas como colesterol alto e diabetes, além de analisar o impacto de tratamentos como quimioterapia.

"Vai permitir o monitoramento direto e contínuo baseado na intolerância individual de cada paciente, e não em tabelas de idade e peso, ou exames de sangue semanais", afirma De Micheli.

Até o momento, os pesquisadores testaram o dispositivo em laboratório e em animais. Eles afirmam que o mecanismo pode detectar de forma confiável os níveis de colesterol e glicose no sangue, assim como outras substâncias mais comuns que médicos tentam encontrar em exames.

Os cientistas agora esperam começar os testes do dispositivo em pacientes internados em unidades de terapia intensiva, que precisam de muito monitoramento, incluindo exames de sangue frequentes.

Os resultados da pesquisa serão apresentados na conferência sobre eletrônicos Design, Automação e Teste na Europa (Date).


Até mais.

Fonte: uol.

terça-feira, 19 de março de 2013

Jovens ingerem 15% das calorias diárias em refrigerantes e sucos industrializados...


De acordo com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), os adolescentes brasileiros estão abusando de refrigerante, sucos de caixinha e sucos em pó, além de ter uma dieta deficiente em bebidas saudáveis, como o leite. Os resultados foram publicados em março na revista BMC Public Health. O trabalho será apresentado dia 19 de março no Congresso Paulista de Pediatria e avaliou a ingestão de líquidos de 831 crianças e adolescentes de 3 a 17 anos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. Parte do estudo foi custeada pelo Danone Research, na França.

O estudo descobriu que, da infância à adolescência, o volume diário do consumo de bebidas açucaradas aumenta (de 420 ml para 780 ml), enquanto que o de leite e bebidas lácteas cai (de 510 ml para 320 ml). O consumo de água se mantém quase igual em todas as idades, constituindo cerca de 30% do volume total de líquido. Os autores também descobriram a quantidade de calorias ingeridas diariamente provinda de bebidas açucaradas. Entre adolescentes de 11 a 17 anos, 15% das calorias diárias provêm dessas bebidas. Para as crianças de sete a dez anos, essa taxa é de 12% e, para o grupo de quatro a seis anos, 8%.

Essas calorias em forma de bebidas açucaradas entre os sete e os 17 anos excede a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 10% de açúcares na dieta, incluindo alimentos sólidos. O artigo aponta ainda que os refrigerantes são a maior fonte de calorias de bebidas entre os adolescentes: são 207 por dia, equivalente a 10% do consumo total recomendado.

Segundo os cientistas, é preciso ensinar desde cedo que o consumo desse tipo de bebida não deve ser feito de forma deliberada, para matar a sede, e que o consumo de água deve ser aconselhado. A ingestão excessiva de bebidas açucaradas, combinada com outros maus hábitos, pode levar a problemas como obesidade infantil.

Proteja seu filho da obesidade infantil

Manter as crianças dentro de uma dieta saudável dá trabalho, principalmente quando elas adoram ir ao supermercado e ficam com olhos gulosos para cima das prateleiras de salgadinhos, doces e congelados. Segundo dados do Ministério da Saúde, uma em cada três crianças no Brasil está acima do peso, podendo chegar à obesidade (situação em que os quilos sobrando já são encarados como doença). "Educar o paladar das crianças é a melhor forma de evitar problemas com a balança na idade adulta", afirma a nutricionista Raquel Maranhão, da empresa BeSlim. Ela e outros especialistas listam uma série de guloseimas campeãs de popularidade entre a turma infantil, mas que devem ser consumidas com muita moderação.


Até mais.

Fonte: msn

Ades com produto de limpeza, novo sabor????

Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu, nesta segunda-feira (18), a fabricação, a distribuição, a comercialização e o consumo, em todo o território nacional, de lotes de produtos da marca Ades de uma linha de produção da fábrica da Unilever, em Pouso Alegre (MG).

Na última quinta-feira (14), a agência informou que estava acompanhando o recall de um lote da bebida Ades Maçã 1,5 litro que foi envasado com solução de limpeza.
De acordo com a fabricante Unilever Brasil, houve falha no processo de higienização das máquinas, o que resultou no envasamento de embalagens com a solução de limpeza. Cerca de 96 embalagens foram distribuídas em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Paraná com o produto impróprio para consumo.
Até mais.
Fonte: isaude.net

sexta-feira, 15 de março de 2013

FDA investiga risco de doenças pancreáticas associado a remédios contra diabetes...


A Food and Drug Administration dos EUA (FDA admitiu estar investigando novas evidências de um grupo de pesquisadores acadêmicos que sugerem um risco maior de pancreatite e lesões pré-cancerosas em pacientes com diabetes tipo 2 tratados com uma classe de medicamentos chamados incretinomiméticos.
Os resultados foram baseados na análise de um pequeno número de amostras de tecido de pâncreas retiradas de doentes após eles morreram de causas não especificadas.
A FDA solicitou aos pesquisadores o fornecimento da metodologia utilizada para recolher e estudar estas amostras e das amostras de tecido para que a agência possa investigar a toxicidade pancreática potencial associada aos medicamentos da classe dos análogos de incretina, que inclui o Victoza, fabricado pela Novo Nordisk, e o Byetta, da Eli Lilly.
Estes medicamentos funcionam imitando os hormônios incretinas que o corpo produz naturalmente para estimular a liberação de insulina em resposta a uma refeição. Eles são usados juntamente com dieta e exercício para reduzir o açúcar no sangue em adultos com diabetes tipo 2.
A FDA não atingiu quaisquer novas conclusões sobre os riscos de segurança com drogas miméticas das incretinas. Segundo a agência, este comunicado se destina apenas a informar os profissionais de saúde pública e de saúde que ela pretende obter e avaliar esta nova informação.
A agência irá comunicar suas conclusões e recomendações finais quando sua avaliação estiver completa ou quando a tiver informações adicionais para relatar.
As autoridades recomendam que, neste momento, os pacientes devem continuar a tomar o medicamento conforme indicado até que falem com o seu médico e os profissionais de saúde devem continuar a seguir as recomendações de prescrição nos rótulos dos medicamentos.
Até mais.
Fonte: isaude.net

terça-feira, 12 de março de 2013

As crianças no PODER... (e com também!!!)

Esta matéria publicada no jornal Folha de São Paulo a respeito da falta de autoridades dos pais e como as crianças de hoje mandam e desmandam ...


Theodoro tem dois anos e 11 meses e o apelido de "Theorremoto", ganho às custas de muita birra. "Não muito orgulhosa disso", a mãe, a estilista Marina Breithaupt, 32, diz que o menino manda nela, no pai e na irmã de 11 anos.
"Saímos quando ele quer, assistimos ao que ele gosta na TV. Ele quer tudo antes da irmã e decidiu que não dorme mais na cama dele, só na nossa", conta a mãe.
Se ouvir um não, o menino "faz escândalo, vira um inferno". A família deixou de ir a shopping porque Theo quer tudo que vê. E só vai a restaurante que tem parquinho: um dos pais brinca com ele enquanto o outro come.
A última do garoto é não querer ir à escola. "Já acorda dizendo que não vai. Num domingo, resolveu que queria ir", diz Marina. "Sou rígida, mas acabo cedendo para evitar problemas. Ele tem personalidade dominadora."
Ele e uma geração inteira de pequenos ditadores, na explicação de Marcia Neder, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Educação da USP e autora do livro "Déspotas Mirins - O Poder nas Novas Famílias" (Zagodoni, 144 págs., R$ 34).
"Vivemos uma 'pedocracia'", diz, dando nome ao fenômeno das famílias sob o governo das crianças. "Há 50 anos, elas não tinham querer. Agora, mandam."
Segundo Neder, estamos no ápice da tirania infantil. "Muito se fala sobre declínio de poder paterno e ascensão do materno. Discordo. Quem ganhou poder nas últimas décadas foram os filhos", diz.
A falta de limites é sinal da derrota dos pais, na visão dela. "A criança foi a grande vitoriosa do século 20."
E não precisa ser mandão para manter o reinado. Mesmo sem espernear, os filhos têm as vontades atendidas e a rotina da casa organizada em função deles. "O adulto é um satélite em volta da criança", diz Neder, que considerada urgente um esforço pela retomada do poder adulto. "Vamos pagar o preço de ver esses tiranos crescidos."

Até mais.



domingo, 3 de março de 2013

Abilify injetável e mensal...


A Food and Drug Administrtion dos EUA (FDA) aprovou uma forma injetável mensal única do medicamento Abilify para o tratamento da esquizofrenia.
A injeção será vendida pela farmacêutica japonesa Otsuka e o grupo dinamarquês Lundbeck. As informações são da Reuters.
Em julho de 2012, a Food and Drug Administration se recusou a aprovar o medicamento, Abilify Maintena, citando deficiências na inspeção de um fornecedor terceirizado de água estéril.
Otsuka e Lundbeck reenviaram sua aplicação de marketing logo depois, após trabalhar com um fornecedor alternativo.
As autoridades acreditam que cerca de 1% dos adultos nos Estados Unidos tem esquizofrenia, transtorno de processos de pensamento que podem envolver alucinações, delírios e capacidade de resposta emocional ruim.
A nova formulação do Abilify, tratamento padrão da esquizofrenia, se destina a fornecer prevenção de recaídas dos sintomas da esquizofrenia a longo prazo, particularmente para aqueles pacientes que não tomam fielmente os seus medicamentos antipsicóticos.
No entanto, o medicamento tem uma desvantagem. Ele vem na forma sólida e deve ser diluído com água esterilizada para injeção. Isso significa que ele tem que ser dado por um profissional de saúde.
Até mais.
Fonte: isaude.net

sábado, 2 de março de 2013

Epidemia de Dengue na Baixada Santista - 2013...


Gostaria de saber o que as autoridades da baixada santista estão aguardando para anunciar que nossa região vive uma nova epidemia de DENGUE. Trabalho em proto-socorros da região e converso com amigos e colegas médicos e todos são enfáticos ao dizer que o número de casos de Dengue está muito alto. Portanto, concluo que quando acabar a "alta" temporada será dado este alerta...
Até mais.

SUS - Sistema Ultrapassado de Saúde...

Texto da Sociedade Brasileira de Pediatria:


Publicação:24/02/2013
A sigla SUS colou. O conceito não. Contradiz o que pretende passar para os usuários. Saúde não é ausência de doença. É o bem-estar físico, mental e social do indivíduo. Supõe sociedade justa, igualitária, segura, educada, produtiva de bens necessários e não de males supérfluos. Não se promove saúde tratando enfermos. Cura é ação válida. Reduz sofrimento, atenua sequelas. Porém, não atinge o cerne da questão. As doenças não desaparecem.
Propagam-se mercê de um modelo que prioriza terapêutica, não profilaxia. Tratamento cura o paciente, mas não impede a difusão da moléstia. Alivia sintomas, não erradica fontes do mal. Não protege o cidadão dos riscos potencialmente lesivos às estruturas e funções do organismo humano.
As evidências são fartas. Nos Estados Unidos, o impacto de investimentos orçamentários do setor saúde, medido pela redução da mortalidade, mostra o seguinte: 90% dos recursos são aplicados para manter e ampliar a rede de serviços destinados ao diagnóstico e tratamento de doenças, resultando na redução de apenas 11% da mortalidade; 1,5% investidos em mudança de estilos de vida levam à queda de 43% da mortalidade; 1,6% destinados a qualificar o meio ambiente diminuem 19% da mortalidade; e 7,9% despendidos em biologia de saúde fazem baixar 27% do referido indicador.
Em síntese, tratar doentes consome quase todo o orçamento de saúde daquele país. O retorno é insignificante quando comparado ao produto de investimentos mínimos em outras políticas sanitárias. No Brasil, não é diferente. O SUS utiliza a maioria do orçamento nos cuidados com enfermos. A rede física aumenta. Despesas com recursos materiais, equipamentos e insumos diversos exorbitam. Morbidades grassam. Quantidade e qualidade de serviços deixam a desejar. Relação custo/benefício negativa expõe a precária sustentabilidade do sistema.
Persistir nessa rota só é coerente com a lógica da economia capitalista. Reforça a dinâmica do consumismo supérfluo. Eleva o uso indevido de medicamentos, tecnologias diagnósticas e terapêuticas deslumbrantes, prática que atrai investimentos, aumenta produção industrial, gera emprego, amplia o comércio, aumenta a arrecadação de impostos. A economia robustece. A indústria agradece. A sociedade adoece. Quanto mais doença, mais lucro e benefício financeiro.
Para incorporar princípios éticos à condução das políticas públicas, urge mudar o sistema de saúde. Imediatismos nada resolvem. Mediatismos, muito menos. Dizer, por exemplo, que há falta de médicos no país é falar sem pensar. Na verdade, há excesso de doentes. O que falta é população sadia. A solução digna não é, pois, promover o boom de cursos médicos desqualificados para criar exército de reserva de tão complexa mão de obra. Cumpre inverter a prioridade das políticas do setor, investir na prevenção para erradicar causas das enfermidades que acometem os cidadãos com maior frequência. O único caminho é promover saúde no verdadeiro sentido, identificado com o bem-estar da cidadania.
Ministério e secretarias ditos da saúde precisam sê-lo de fato. Não passam de ministério e secretarias da doença. Recorrem a campanhas publicitárias ilusórias e eleitoreiras para fazerem crer que o sistema público vai muito bem. Mantêm olhar de descaso para conhecimentos científicos da epigenética, cujos conteúdos exaltam a primazia dos cuidados preventivos sobre os curativos. Entendem que atenção primária é coisa simples e barata. Pode ser prestada por qualquer profissional, independentemente de sua formação. Ledo engano. O modelo chinês do médico pé descalço já era. Cuidado primário é tão complexo quanto o dos demais níveis de atenção. Exige visão abrangente e profunda da medicina, sem a qual se perde a oportunidade de dotá-lo das condutas preventivas e educativas capazes de reverter a atual falta de cultura sanitária.
A maioria das doenças do adulto tem início na infância. Para preveni-las, não há alternativa reducionista e simplificadora que se justifique. Quanto mais se respeita e valoriza o cuidado pediátrico qualificado nessa fase de vida, menor a prevalência de males futuros. Quanto mais intervenções educativas em saúde nos meios de comunicação, maior o potencial de bem-estar das pessoas. Quanto menos propagandas enganosas e merchandising na mídia, maior a chance de ambiente compatível com os requisitos de vida saudável. O universo do SUS vai muito além de UPAs, Samus e hospitais. Se não avançar no papel revolucionário que lhe cabe, continuará sendo um Sistema Ultrapassado de Saúde.
Até mais.

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