sexta-feira, 4 de outubro de 2013

História de métodos para emagrecer é cheia de ideias repetidas e de baixa eficácia...


Não é muito animadora a mensagem do livro "A Tirania das Dietas", da britânica Louise Foxcroft, historiadora da medicina com doutorado pela Universidade de Cambridge. Em resumo: faz séculos que as dietas são sempre as mesmas --e faz séculos que não funcionam.
"É uma história de repetição e, em parte, de novidades cosméticas. As mesmas ideias são reempacotadas e requentadas", disse Foxcroft em entrevista por telefone à Folha. "Um exemplo são as dietas ricas em proteína e com poucos carboidratos."
Nessa seara, o atual astro é o médico francês Pierre Dukan, que diz ter criado seu método ao recomendar a um paciente que comesse tanta carne magra quanto desejasse e bebesse bastante água.Antes de Dukan, no entanto, houve a "dieta revolucionária" do médico americano Robert Atkins (1930-2003), cujo livro de 1972 virou best-seller. E, mais de um século antes, o britânico William Banting (1797-1878), agente funerário (sim, não é piada), publicou sua versão desse tipo de dieta em "Carta sobre a Corpulência, Dirigida ao Público", em 1863.
"Esse tipo de dieta evoluiu independentemente várias vezes porque funciona no curto prazo", diz Foxcroft. "O problema é evitar que a perda seja revertida."
Outras supostas ideias brilhantes que parecem ter acometido o cérebro dos desesperados para perder peso ao longo dos séculos: a indução do vômito; o uso de laxantes para, digamos, "descomer" o alimento o mais rápido possível; e o uso de massagens violentas e espartilhos que "espremessem a gordura" para fora do sujeito.
A pesquisa de Foxcroft mostra ainda que a associação entre o desejo de emagrecer e a cultura das celebridades tampouco é tão moderna quanto se costuma pensar.
Os primeiros astros obcecados com a magreza são, ao que tudo indica, do século 19: o poeta britânico Lorde Byron (1788-1824), para quem "uma mulher nunca devia ser vista comendo ou bebendo, a menos que se tratasse de lagosta, salada e champanhe"; e Sissi, imperatriz da Áustria (1837-1898). Com 1,70 m e 47 kg, cintura esmigalhada por espartilhos, alimentava-se basicamente de leite (viajava com sua própria vaca) e suco de laranja, além de fazer ginástica o tempo todo.

GORDOS DO MAL

Outra constante histórica, diz a pesquisadora, é o hábito de desprezar as pessoas acima do peso. "Essa conexão entre moralidade, dieta e peso vem desde os antigos gregos e romanos, para os quais alguém fora de forma era um mau cidadão", conta.

"Em tempos de guerra e de escassez, é algo que acaba voltando. O inimigo é pintado como um glutão, preguiçoso e indulgente."
A trajetória dos medicamentos para emagrecer também não anima. "Até hoje, nenhum demonstrou um perfil de segurança favorável em relação a efeitos colaterais, e seu sucesso é no máximo modesto", critica.
Para ela, a abordagem mais sensata é a dos gregos, criadores do termo "dieta", encarada por eles como um controle gradual da alimentação, ligado a um programa de exercícios e mudança de estilo de vida. "É difícil, porque nosso ambiente alimentar está cada vez mais contra nós, mas é o único caminho sensato", prega Foxcroft.

Até mais.

Fonte: A Folha de São Paulo.

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