segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Antibióticos na otite média aguda: 10 dias é melhor do que cinco...

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A administração de 10 dias de antibióticos obteve melhor resultado do que a de cinco dias para crianças com infecções de ouvido em um estudo controlado randomizado com 520 crianças realizado em dois centros. A administração durante cinco dias não resultou em menos casos de infecções resistentes a antibióticos ou eventos adversos.
O Dr. Alejandro Hoberman, médico do Departamento de Pediatria da University of Pittsburgh School of Medicine, na Pensilvânia, e colaboradores, revelaram suas descobertas em um artigo publicado na edição de 22 de dezembro do periódico New England Journal of Medicine.
"No momento, 10 dias de amoxicilina-clavulanato para crianças com menos de dois anos de idade com diagnóstico de otite média aguda (OMA) parece ser uma opção razoável", escreveu a Dra. Margaret A. Kenna, mestre em saúde pública e médica do Departamento de Otorrinolaringologia e Aprimoração da Comunicação e do Boston Children’s Hospital no editorial que acompanha o estudo.
O estudo recrutou crianças entre as idades de seis e 23 meses – a faixa etária mais propensa a ter falha terapêutica e recidiva da infecção. Para entrar no estudo as crianças precisavam ter diagnóstico de otite média aguda atendendo a três critérios: existência de secreção no ouvido médio, abaulamento moderado ou acentuado da membrana timpânica ou abaulamento discreto associado a dor ou enantema, além de resultado recente de três pontos ou mais na escala Acute Otitis Media–Severity of Symptoms com o total de 14 pontos. Os itens avaliados nesta escala são: a criança puxar as próprias orelhas, chorar, apresentar irritabilidade, dificuldade para dormir, diminuição da atividade, diminuição do apetite e febre. Todas as crianças tinham recebido pelo menos duas doses da vacina pneumocócica conjugada.
As famílias receberam dois frascos de medicamento: um contendo amoxicilina e clavulanato (de 90 e 6,4 mg/kg de peso corporal) para os primeiros cinco dias e um segundo frasco contendo o mesmo medicamento ou placebo com cor, textura, odor e sabor idênticos aos do medicamento.
Os pesquisadores acompanharam as famílias das crianças em duas ocasiões nas duas semanas seguintes e consultaram a criança a cada seis semanas durante o restante da temporada de infecções respiratórias. Todas as vezes em que a criança teve outra infecção no ouvido, foi tratada com o mesmo esquema, como anteriormente (cinco ou 10 dias). No entanto, depois de duas recidivas ou em caso de falha terapêutica, elas receberam um esquema de 10 dias de amoxicilina-clavulanato, ceftriaxona ou cefdinir.
A falha clínica foi mais comum entre as crianças que receberam o esquema de cinco dias do entre aquelas que receberam o esquema de 10 dias (34% vs. 16%; diferença de 18 pontos percentuais; intervalo de confiança de 95% = 9 a 25 pontos percentuais). Para evitar um episódio de falha clínica, o número necessário para tratar com um esquema de 10 dias é de seis pacientes.
Após o tratamento inicial, os dois grupos de crianças tinham menos Streptococcus pneumoniae sensível à penicilina na nasofaringe. O número de cepas de Haemophilus influenzae com e sem sensibilidade permaneceu inalterado. Os eventos adversos não foram significativamente diferentes entre os grupos.
Independentemente do tratamento, as crianças tiveram mais propensão à falha clínica se passassem mais de 10 horas por semana com pelo menos três outras crianças (= 0,02) e se a infecção inicial tivesse sido bilateral (< 0,001).
Os autores observam que estes resultados não podem ser generalizados para crianças mais velhas do que as avaliadas neste estudo.
A Dra. Margaret, que não participou do estudo, observa que uma revisão Cochrane sobre este tema descobriu que alguns estudos mostraram não haver diferença entre os esquemas antibióticos de longa e curta duração, porém que muitos desses estudos não foram cegos, não utilizaram critérios rigorosos para o diagnóstico ou para as medidas de desfecho e não compararam diretamente o mesmo medicamento administrado por diferentes períodos de tempo.
O Dr. Hoberman e um coautor do artigo informam receber honorários de consultoria da Genocea Biosciences. O Dr. Hoberman também revela receber apoio financeiro da Innovations Ricoh e ser detentor de patentes pendentes relacionadas com o desenvolvimento de uma versão de amoxicilina-clavulanato com menor concentração de clavulanato de potássio e do desenvolvimento de um método e dispositivos para auxiliar no diagnóstico da otite média, classificando as imagens da membrana timpânica. Os demais autores declararam não possuir conflitos de interesse relevantes ao tema.
N Engl J Med. 2016; 375: 2446-2256, 2492-2493. Resumo do artigoExtrato do editorial
Até mais.
Fonte: Medscape

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