segunda-feira, 26 de junho de 2017

EUA: famílias brancas e de maior poder aquisitivo são as que mais buscam tratamentos com hormônio do crescimento para os filhos...

Pais mais altos, brancos, com maior renda, e que se preocupam mais com a altura dos próprios filhos tendem a considerar uma estatura maior como o padrão mais adequado. Esses foram alguns dos resultados observados pela Dra. Adda Grimberg, do Children's Hospital of Philadelphia, Estados Unidos, e colegas, quando avaliaram a percepção de pais de crianças atendidas na atenção primária acerca da altura[1]. A especialista disse, durante simpósio realizado no 12° Congresso Brasileiro Pediátrico de Endocrinologia e Metabologia (COBRAPEM) – promovido pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e realizado pela Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ) – que a pressão social representa um problema que pode levar a alguns desdobramentos na terapêutica com hormônio do crescimento, como, por exemplo, "a supervalorização do tratamento de meninos brancos".
Estudos apontam que a preocupação familiar tem aumentado a prescrição de hormônio do crescimento por endocrinologistas nos EUA. Essa pressão é real e a própria médica já vivenciou uma experiência do tipo: "certa vez recebi a ligação de uma mãe que questionava o padrão de crescimento do filho. Por mais que eu explicasse que a criança estava dentro da normalidade a mãe não se convencia e exigia que o filho fosse tratado", contou a Dra. Adda no evento.
O quão baixo é baixo demais para um homem adulto? E quão baixo é baixo demais para uma mulher adulta? Essas foram as principais perguntas que 1.820 pais responderam no estudo conduzido pela Dra. Adda e equipe. Os filhos dos participantes tinham entre nove e 14 anos, e foram atendidos na atenção primária.
A maioria da amostra foi composta por mulheres (87%). Quanto à etnia, 47% se autodeclararam negros ou afro-americanos, e 40% brancos ou caucasianos. Predominaram usuários atendidos em unidades de saúde não urbanas (51%).

Sobre o nível educacional, 28% tinham ensino superior, 21% tinham pós-graduação e 20% haviam concluído o ensino médio. Além disso, a maioria estava empregada em tempo integral (42%).
A pesquisa mostrou que, para os participantes do sexo masculino, o limiar mediano considerado muito baixo para a mulher adulta foi 56 polegadas (142,24 cm). Para as próprias mulheres, esse valor ficou em 57 polegadas (144,78 cm). No caso dos homens, tanto os participantes do sexo masculino quanto os do feminino apontaram o limiar mediano de 61 polegadas (154,94 cm).
Os autores identificaram que, além dos participantes mais altos, com maior renda, brancos e mais preocupados com a altura dos filhos, as mulheres e aqueles que foram atendidos em clínicas não urbanas apontaram valores mais altos como aceitáveis.
Os resultados da pesquisa corroboram outros estudos que apontam para números desproporcionalmente altos de crianças brancas, de renda superior e de famílias mais educadas que procuram avaliação.
A Dra. Adda lembrou que alturas maiores são associadas a "força, atratividade, preferência de namoro, sucesso na academia, no trabalho, na política e nas Forças Armadas". No entanto, a altura é um traço físico contínuo, cujo limite entre normal e anormal é definido arbitrariamente.
Até mais.
Fonte: Medscape.com

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