sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Vacine seus filhos contra o HPV...

CARTA ABERTA AOS MÉDICOS:

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) convocam os médicos a recomendar fortemente às suas pacientes a vacinação contra o HPV. 

A cada ano, cerca de 5 mil mulheres brasileiras morrem de câncer do colo do útero. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), são cerca de 15 mil novos casos anuais -- praticamente 100% causados pelo Papilomavírus Humano (HPV). 
A vacina HPV oferece prevenção efetiva contra o câncer. Existe vacina segura e eficaz disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde para as nossas meninas de 9 a 13 anos. No entanto, as coberturas vacinais estão baixas, apesar das robustas evidências de eficácia e segurança. Sabemos que a prescrição médica pode mudar essa realidade. Estudos recentes mostram que um paciente que recebe recomendação de seu médico é 4 a 5 vezes mais propenso a se vacinar 2,3. O que você diz e como você diz importa muito. Uma recomendação hesitante, vaga ou sem robustez pode levar o paciente a acreditar que a vacina HPV não é tão importante quanto as outras. As sociedades médicas aqui representadas esperam que esse documento, que apresenta os principais pontos e evidencias científicas sobre a epidemiologia da doença, eficácia e segurança da vacina, possam contribuir para o embasamento necessário para que a vacina HPV seja recomendada por você.

Doenças associadas ao HPV

  • De 12,7 milhões de novos cânceres em homens e mulheres em todo mundo, 610 mil (~5%) são atribuíveis ao HPV.
  • Os HPVs são causa de câncer em vários sítios anatômicos. Segundo o CDC, eles respondem por 100% dos casos de câncer do colo do útero; 91% dos casos de câncer anal; 75% dos casos de câncer de vagina; 72% dos casos de câncer de orofaringe; 69% dos casos de câncer vulvar; 63% dos casos de câncer de pênis.
  • O Câncer cervical é o terceiro tipo mais comum entre as mulheres brasileiras.
Estudos brasileiros demonstram que 24% das meninas com um ano de atividade sexual e com um único parceiro, já apresentam lesão por HPV. Em cinco anos, a probabilidade de ocorrência de lesão foi de 40%. Apesar dos números, e do claro impacto da infecção causada pelos HPVs, principalmente na população feminina, nossas coberturas vacinais com a vacina HPV ainda são muito baixas. 

Vacinas - prevenção das doenças associadas ao HPV 

Existem duas vacinas HPV disponíveis no Brasil, elas foram desenvolvidas para prevenir o câncer do colo do útero. É possível que sejam eficazes também na prevenção de outros tipos de câncer relacionados aos HPVs. A vacina quadrivalente também protege do câncer de vulva e vagina e das verrugas genitais.
As sociedades médicas recomendam fortemente a vacinação prioritária de meninas a partir dos 9 anos. O Ministério da Saúde disponibiliza a vacina HPV 6,11,16 18 para meninas de 9 a 13 anos. Apesar das recomendações e da disponibilidade da vacina gratuita nas Unidades Básicas de Saúde, nossas coberturas vacinais ainda são baixas. Em 2014, a cobertura vacinal da primeira dose foi de 100%. Contudo, apenas 60,4% receberam a segunda dose até 24/08/15. Outro fato preocupante: também até a data, apenas 49,63%, de nossas meninas com idade entre 9 e 13 anos receberam a primeira dose.

Eficácia das vacinas HPV

Em mulheres não previamente infectadas, ambas as vacinas apresentam mais de 95% de eficácia na prevenção de lesões precursoras do câncer cervical causadas pelos HPVs 16,18.
Em mulheres, a vacina HPV 6, 11, 16, 18 demonstra quase 100% de eficácia na prevenção de lesões precursoras de câncer de vulva e vagina causadas pelos HPVs 16,18, e de verrugas genitais causadas pelos HPVs 6,11.
A vacina HPV16,18 demonstra eficácia clínica em prevenir infecções persistentes causadas por HPVs 16, 18, 31 e 45 e lesões causadas por HPVs tipos 16 e 18, as quais podem evoluir para câncer de colo de útero. 
Ambas as vacinas mostram que a imunogenicidade é cerca de duas a três vezes maior em mulheres jovens, com menos de 15 anos. Estudos demonstram que o esquema de duas doses da vacina para essa faixa etária é tão imunogênico quanto o de três doses nas mais velhas. mais velhas. 7 Por esse motivo, esquemas de doses estendidos, como o adotado pelo Brasil, e até mesmo de duas doses foram adotados para meninas com menos de 15 anos. 
A vacina HPV6,11,16,18, adotada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), está inserida em 62 programas públicos de vacinação em todo mundo e os resultados de eficácia já podem ser observados. 
Na Austrália, onde a vacina HPV 6,11,16 18 é oferecida para meninas de 12 a 26 anos, observam-se, desde 2007, os seguintes resultados8,9 : o As verrugas genitais tornaram-se raras nas mulheres e nos homens heterossexuais australianos sete anos após a introdução da vacinação contra HPV (redução de 18,4% para 1,1% nas mulheres < 21 anos; de 11,3% para 2,8% nos homens < 21 anos. Houve redução mínima entre homens que fazem sexo com outros homens e nos homens > 32 anos. Entre as mulheres com mais de 32 anos passou de 4,0% para 8,5%). Diante do fato de que as vacinas não protegem da infecção causada por todos os tipos de HPV, ela não substitui outras estratégias de prevenção, como o rastreamento do câncer cervical com o Papanicolaou.

Segurança das vacinas HPV 

As vacinas estão licenciadas desde 2006 (HPV 6,11,16,18) e 2007(HPV 16,18). A vacina HPV6,11,16,18, disponível para as meninas na rede pública brasileira, também é utilizada em 133 países, sendo que 62 deles oferecem a vacinação gratuita contra o HPV. Mais de 175 milhões de doses das vacinas HPV foram aplicadas no mundo, desde 2006. Estima-se que em 2014, 44 milhões de mulheres em todo mundo receberam o esquema completo de três doses em programas nacionais de imunização -- 30 milhões delas em países desenvolvidos e 14 milhões em países em desenvolvimento. Síncope pode ocorrer entre adolescentes que recebem vacinas, incluindo a vacina HPV. O comportamento dos jovens é, com frequência, influenciado pelo grupo com o qual se identifica, sejam amigos ou colegas de escola; por essa razão, muitos relatos de alterações comportamentais associadas à vacinação têm sido descritos independentemente de questões culturais ou socioeconômicas. Desde os anos 90, episódios de transtornos psicogênicos em massa (MPI, do inglês mass psychogenic illness) após a vacinação são descritos na literatura 11,12,13 . Mundialmente, o Global Advisory Committee on Vaccine Safety (GAVCS) monitora todas as vacinas, incluindo a vacina HPV 6,11,16,18. Em 2014, o relatório da GACVS afirma não ter havido ocorrência que pudesse afetar a segurança ou as recomendações atuais para o uso da vacina. O comitê continua confirmando o bom perfil de seguranças da vacina HPV quadrivalente, hoje disponível na rede pública brasileira

Até mais.

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