Exercício físico para crianças precisa ser na hora certa...

RIO - Enquanto crianças e adolescentes passam um tempo cada vez maior diante de jogos eletrônicos, pediatras chamam a atenção para a epidemia de obesidade e a necessidade de se colocar os pequenos para fora do sofá: dados do IBGE mostram que 15% dos brasileiros entre 6 e 18 anos estão acima do peso; 5% obesos. Mas entre tantas opções, como escolher a atividade e quando começar? Primeiro, a criança deve gostar do exercício; depois, esporte competitivo só é recomendado a partir de 13 anos.

Jogos em grupo, como futebol, vôlei, e queimado, judô e balé são apropriados a partir dos 5 anos, se enfatizarem cooperação e altruísmo:

— Até os 12 anos, essas atividades devem ser lúdicas. Antes dessa idade, a criança ainda não tem estrutura psicológica para competir. Pode-se brincar de premiar quem ganha, quem perde — ensina Isabel Rey Madeira, da Sociedade Brasileira de Pediatria e autora do livro "Filhos, de 2 a 10 anos de idade" (Manole).

Se a criança está gordinha, Isabel sugere começar pela natação, pois a água protege mais das lesões. E essa atividade não expõe tanto dificuldades que ela possa ter, em função do excesso de peso.

Bebês de seis meses já podem brincar na piscina

Mas vale a regra: é a criança quem tem que escolher. Caso ela prefira algum jogo em equipe, não há problemas. E os pais não devem se esquecer de consultar o pediatra, para afastar riscos à saúde, seja qual for a preferência.

Ela tem razão, afirma o pediatra Ricardo Rego Barros, chefe do Serviço de Adolescentes do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (da UFRJ).

— Os pais devem respeitar as escolhas de seus filhos. Estudos americanos dizem que 75% das crianças e adolescentes obrigados a praticar um esporte abandonam a atividade aos 14 a 15 anos — conta. — É muito importante que eles experimentem várias modalidades antes de se dedicar a um esporte.

Para crianças acima do peso, Jayme Murahovschi, da Academia Brasileira de Pediatria, indica uma caminhada, corrida e pedalada. A criança pode fazer isso por uma hora, seis vezes por semana. Se a ideia for apenas mantê-la em movimento, sem preocupação com as medidas, basta praticar 30 minutos.

Além de queimar calorias, a atividade física na infância ajuda no desenvolvimento da coordenação, do equilíbrio e sociabiliza, entre outros benefícios. E se pode começar antes do primeiro ano; como a iniciação na piscina. Se o bebê não sofre de otite, já pode cair na água aos seis meses. A mãe de José Francisco Prado, de 1,6 ano, Luisa Prado, percebe a evolução do menino de uma aula de natação para outra, numa academia carioca:

— Ele está cada vez mais esperto. E a aula tem música, o que ajuda na identificação dele com a atividade na água.

Ricardo Barros aprova e dá uma dica importante:

— É preciso avaliar o preparo dos professores e condições de higiene dos locais.

Os profissionais são unânimes: fora da academia, brincar é sempre um bom exercício.

Até mais.

Fonte: O Globo
Assessoria de Comunicação da SBP

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