sábado, 29 de outubro de 2011

Americanos querem novos números em testes de colesterol...

Grupo de especialistas publica recomendações para melhorar identificação de pessoas com risco cardíaco.
Dados seriam usados para fazer exames em pacientes com níveis de colesterol um pouco abaixo do máximo.
Especialistas americanos em colesterol publicaram recentemente um documento em que sugerem mudar os exames de colesterol, para que passem a incluir a medição de substâncias que, em geral, não constam dos testes feitos hoje.
Os médicos da Associação Nacional de Lípides dos EUA propõem detalhar o teste para detectar proteínas que são carregadas junto com as de LDL (o colesterol "ruim"), além de uma proteína que indica inflamação nas artérias.
A mudança aumentaria ainda mais a sopa de letrinhas dos testes atuais, que já confundem muita gente.
Hoje, os médicos se concentram na medição do LDL, do VLDL, dos triglicérides e do HDL. Os três primeiros são responsáveis pela formação de placas ateroscleróticas, formações que dificultam a passagem do sangue e podem causar infarto.
O HDL é o chamado colesterol bom. Ele faz uma espécie de limpeza das artérias, removendo resíduos do LDL que levam à formação da placa e estimulando a produção de óxido nítrico, substância que dá elasticidade ao vaso, facilitando sua dilatação. Isso melhora a circulação.

CLASSIFICAÇÃO
Com base nos testes atuais, além dos exames clínicos e do histórico familiar dos pacientes, os médicos estimam se a pessoa tem ou não risco de sofrer um infarto e se precisa de tratamento.
Quando os exames apontam VLDL, LDL e triglicérides acima dos números desejados e/ou HDL baixo, o médico pode recomendar mudanças na dieta, prática de exercícios, parar de fumar ou até remédios anticolesterol, as chamadas estatinas.
O problema, segundo Raul Dias Santos, diretor da unidade clínica de lipídes do InCor (Instituto do Coração), é que, em parte dos pacientes, os testes de colesterol dão um resultado que não justifica uma intervenção mas, na realidade, aquela pessoa está em risco de infarto.
"Em 20% das pessoas que infartam, a gente nem tem ideia de que isso ia acontecer. Para muitos, o primeiro sinal de doença cardíaca ainda é o infarto ou a morte."
O uso dos novos testes serviria para que o médico tivesse mais certeza ao classificar seus pacientes como de alto ou baixo risco.
Funcionaria assim: a pessoa faria a consulta e o teste comum. Se estivesse em risco intermediário, faria os novos testes. Se os números viessem acima do desejado, elas teriam de reduzir bastante o colesterol. Muitas que hoje não tomam remédio anticolesterol passariam a tomar.
Santos explica que um desses novos marcadores, o chamado Lp(a), aumenta o risco de coágulos sanguíneos.
"Essa proteína foi descrita há 40 anos, mas só ganhou força no último ano. Entidades na Europa já recomendam medir o Lp(a)."
O que ainda não se sabe é se baixar os níveis dessas proteínas ajuda a prevenir infartos, ou se elas só servem mesmo como indicador.
Essa nova proposta dos americanos não se aplica para pessoas que têm colesterol alto mesmo. Para essas, já se sabe: é preciso fazer o tratamento e baixar os números.

Até mais.

Fonte: Folha de São Paulo.

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